
Era uma vez uma menina chamada Clara, que ganhou um irmãozinho. Ele se chamava Tomás, era pequenininho, e chorava. Chorava de dia, chorava de noite, chorava na hora da história. No começo, Clara achou que ia ser divertido. Mas o bebê não sabia brincar, não sabia conversar, e a mamãe e o papai pareciam sempre ocupados com ele. "Esse bebê só atrapalha", pensou Clara um dia, emburrada no seu canto. A vovó percebeu e sentou do lado dela. "Sabe, Clara, quando você nasceu, também chorava assim. E sabe quem tinha paciência com você? Todo mundo. Bebê é como sementinha: precisa de tempo pra crescer. Um dia esse choro vira risada." Clara ficou pensando. Naquela tarde, o Tomás começou a chorar de novo. Em vez de tapar os ouvidos, ela chegou pertinho do berço e cantou baixinho a música que a mamãe cantava pra ela. O bebê foi parando... parando... até que olhou pra Clara e abriu um sorriso banguela, o primeiro sorriso dele. "Mamãe! Ele sorriu pra mim! Pra MIM!", gritou Clara, pulando de alegria. Dali em diante, Clara entendeu que esperar valia a pena. O Tomás ainda chorava, claro. Mas ela sabia que, escondida em cada choro, tinha uma risada esperando a hora de nascer. E ela ia estar lá pra ver.