
Era uma vez um menino chamado Miguel, que ganhou um colega novo na escola: o Mateo, que tinha vindo de outro país. O Mateo falava as palavras de um jeito diferente, trocava umas letras, e às vezes parava no meio da frase procurando a palavra certa. Na hora do recreio, alguns meninos começaram a rir. "Fala de novo! Fala 'brinquedo'!", pediam, só pra dar risada do jeito que ele falava. O Mateo foi ficando vermelho, encolhido, até que parou de falar de vez. Sentou sozinho num canto do pátio, olhando o lanche sem vontade. Miguel viu tudo. Ele também tinha achado engraçado no começo — mas quando viu o Mateo sozinho daquele jeito, sentiu um aperto. Rir de alguém não tinha graça nenhuma quando a gente olhava o rosto de quem estava sendo alvo da risada. Miguel pegou seu lanche e sentou ao lado do Mateo. "Me ensina como fala 'bola' na sua língua?", pediu. O Mateo olhou desconfiado, mas ensinou. Miguel tentou repetir e errou tudo — e dessa vez foi o Mateo que riu, uma risada boa, de amigo. "Viu? Falar diferente é difícil pra todo mundo", disse Miguel. "Você fala DUAS línguas. Isso é incrível." Os dois passaram o recreio trocando palavras, uma de cada língua, como quem troca figurinhas. E os outros meninos, vendo a brincadeira, chegaram perto — dessa vez pra aprender, não pra rir. Porque o Miguel mostrou, sem precisar de sermão: cada pessoa fala, anda e é de um jeito. E é isso que torna o mundo tão interessante.