
Era uma vez uma menina chamada Sofia, que ia se mudar de casa. Ela olhou o quarto vazio, as paredes sem os desenhos, as caixas empilhadas, e sentiu uma tristeza apertada. "Eu não quero ir. Aqui é a minha casa", disse, sentada na última caixa. A mamãe sentou do lado dela e tirou do bolso um saquinho com sementes de girassol. "Sabe o que essas sementes fazem quando a gente muda elas de vaso? No comecinho, elas ficam meio murchas. Sentem falta da terra antiga. Mas aí as raízes descobrem a terra nova... e elas crescem mais bonitas do que antes." "E se a terra nova não for boa?", perguntou Sofia. "A gente rega. Todo dia. Esperança é isso: regar mesmo antes de ver a flor." Na casa nova, tudo era estranho: o cheiro, o barulho da rua, o quarto grande demais. Mas Sofia plantou as sementes num vaso na janela e regou todos os dias. Enquanto regava, ia descobrindo coisas: uma janela que via o pôr do sol, um degrau perfeito pra sentar, uma menina da casa ao lado chamada Íris, que também gostava de girassóis. Um mês depois, a primeira flor abriu — amarela, virada pro sol. Sofia chamou a Íris pra ver. As duas ficaram olhando a flor, lado a lado, já rindo como velhas amigas. E Sofia entendeu, sem ninguém precisar explicar: lugar novo assusta no começo. Mas quem rega a esperança todo dia, uma hora vê a flor abrir.