
Era uma vez um menino chamado Gui, que adorava desenhos na televisão. Uma noite, no meio do desenho favorito dele — puf! — acabou a energia. A casa inteira ficou escura e silenciosa. "Nãããão!", reclamou Gui. "E agora? Não tem TV, não tem nada! Essa vai ser a pior noite do mundo!" O papai acendeu uma vela e ficou pensativo. "Pior noite? Hum. Quando eu era pequeno e acabava a luz, a gente chamava de noite especial." Gui torceu o nariz, desconfiado. "Especial como?" O papai buscou uma lanterna e fez sombras na parede com as mãos: um coelho, um passarinho, um lobo que fazia "auuu". Gui deu risada e quis aprender. Depois a mamãe trouxe cobertas pra sala e todo mundo montou uma cabana entre o sofá e as cadeiras. Lá dentro, no escuro quentinho, o papai contou histórias de quando era menino — histórias que Gui nunca tinha ouvido, porque a TV sempre falava mais alto. Quando a luz voltou, com um estalo, a casa inteira acendeu de uma vez. E sabe o que o Gui fez? Correu e apagou o interruptor de novo. "Ainda não, papai! A história não acabou!" Naquela noite, Gui descobriu uma coisa que os sábios sabem: às vezes, quando uma coisa apaga, outra coisa acende. É só a gente saber olhar no escuro.