
Era uma vez uma corujinha chamada Olívia, que tinha um segredo esquisito para uma coruja: ela tinha medo da noite. Sim! Uma coruja com medo do escuro! Enquanto as outras corujas voavam felizes entre as árvores, Olívia ficava encolhida no oco do tronco, esperando o sol voltar. "Coruja que não voa de noite não é coruja", zombavam os corvos. E Olívia se encolhia mais ainda, envergonhada. Uma noite, a mamãe coruja sentou do lado dela no galho. "Filha, me conta: do que exatamente você tem medo?" — "Do escuro, mamãe. No escuro não dá pra ver nada!" A mamãe deu uma risadinha carinhosa. "Ah, é? Então fecha os olhos e me escuta." Olívia fechou. "O que você ouve?" — "O rio... um grilo... o vento nas folhas..." — "Pois é. Agora abre os olhos devagar e olha bem." Olívia abriu. E, esperando um pouquinho, os olhos dela — olhos grandes de coruja — começaram a enxergar: o brilho do rio, os vaga-lumes acendendo, a lua desenhando prata nas folhas. A noite não era um buraco preto. A noite era um mundo inteiro, só que de outra cor. "Você nasceu pra noite, Olívia. Seus olhos foram feitos pra ela. Você só precisava olhar com calma." Naquela madrugada, Olívia deu o seu primeiro voo noturno, pertinho da mamãe primeiro, depois sozinha, planando entre os vaga-lumes. E descobriu que a noite não era assustadora — era a casa dela. Só faltava a coragem de entrar.