
Era uma vez um golfinho chamado Nino, que adorava saltar nas ondas perto do porto. Todos os dias ele via os barquinhos de pesca saindo de manhã e voltando à tarde, e conhecia cada um pela cor: o azul, o vermelho, o amarelo com listra. Uma tarde, o céu escureceu de repente. Veio um nevoeiro grosso, branco feito leite, que engoliu o mar inteiro. E Nino ouviu, ao longe, um sino tocando desesperado: era o barquinho amarelo, perdido no meio da névoa, sem saber pra que lado ficava o porto. Nino podia mergulhar fundo e ir embora — golfinho não se perde, golfinho tem o mapa do mar na cabeça. Mas ele ouviu as vozes preocupadas no barquinho e pensou nas famílias esperando no porto. Então Nino começou a saltar. Saltava na frente do barco, batia a cauda na água — splash! splash! — e nadava um pouquinho na direção certa. O pescador entendeu: "Sigam o golfinho!" O nevoeiro era teimoso e o caminho era longo. Nino saltou até a cauda ficar cansada. Mas não parou. Splash por splash, curva por curva, foi guiando o barquinho amarelo... até que as luzes do porto apareceram, brilhando na névoa como estrelas baixas. No porto, as famílias comemoraram, e o pescador tirou o chapéu pro mar: "Obrigado, amigo!" Nino deu o seu salto mais alto, girando no ar, e mergulhou pra casa. Desde então, dizem os pescadores daquele porto que quem faz o bem no mar nunca navega sozinho. E toda vez que o barquinho amarelo sai pra pescar, tem um golfinho saltando do lado, só pra dar bom dia.