
Era uma vez um cachorrinho chamado Pipoca, branquinho com orelhas caramelo, que amava um menino chamado João. Todo dia, quando o João ia pra escola, o Pipoca subia no sofá, apoiava as patinhas na janela e ficava ali, esperando. Esperava de manhã. Esperava depois do almoço. E quando o portão fazia "nhéééc" no fim da tarde, o Pipoca disparava pela casa, latindo de alegria, com o rabo abanando tão rápido que parecia hélice. Um dia, o João ficou doente e precisou passar uns dias no hospital, com a mamãe. A casa ficou quieta. O papai explicou pro Pipoca — porque quem tem cachorro sabe que cachorro entende: "O João vai voltar, amigão. Só vai demorar um pouquinho." E o Pipoca esperou. Todos os dias, subia no sofá e olhava a janela. O papai chamava pra passear, dava petisco, fazia carinho — e o Pipoca aceitava tudo com o rabinho educado, mas logo voltava pro seu posto na janela. Se o João ia voltar, alguém precisava estar esperando. E esse alguém era ele. Numa tarde de sol, o portão fez "nhéééc". O Pipoca levantou as orelhas... e era ele! O João, mais magrinho, mas sorrindo! O Pipoca voou do sofá, girou três vezes no ar, lambeu o rosto do menino inteirinho e depois deitou no colo dele, suspirando fundo, como quem diz: "Eu sabia que você voltava. Eu esperei." E naquela noite, dormiram juntos, o menino e o cachorro — porque quem ama de verdade espera. E quem espera com amor, sempre tem o melhor reencontro do mundo.