
Era uma vez um esquilo chamado Nogueira, o maior colecionador de nozes de toda a floresta. Ele tinha nozes no oco da árvore, nozes enterradas perto do rio, nozes escondidas embaixo das pedras. Tantas nozes que ele já nem lembrava onde estavam todas. Mas Nogueira tinha uma regra: noz dele, ninguém tocava. "Guardei porque é minha! Cada um que junte a sua!", dizia, de braços cruzados. Naquele ano, o inverno chegou mais cedo e mais bravo. A neve cobriu tudo antes da hora, e muitos bichos não tinham conseguido guardar comida suficiente. O rato Faísca bateu na árvore do Nogueira: "Amigo, você teria uma nozinha? Meus filhotes estão com fome." — "Sinto muito. Noz minha é minha", respondeu o esquilo, fechando a portinha. Naquela noite, Nogueira jantou sozinho no seu oco cheio de nozes. E percebeu uma coisa estranha: mesmo com o estoque transbordando, o jantar estava sem graça. Nenhuma noz tinha gosto de festa quando se comia sabendo que o vizinho estava com fome. Ele não conseguiu dormir. De madrugada, encheu os braços de nozes e saiu na neve, batendo de porta em porta: na toca do Faísca, no ninho da rolinha, na casinha do ouriço. "Peguem. Tem de sobra. Eu que demorei pra entender." O inverno inteiro, o oco do Nogueira virou ponto de encontro: os bichos vinham buscar nozes e ficavam pra conversar, contar história, esquentar-se juntos. E o esquilo descobriu o segredo que os generosos conhecem: comida guardada enche o estoque, mas comida dividida enche a casa — de amigos.