
Era uma vez um galo chamado Clarim, que tinha o trabalho mais importante da fazenda: acordar todo mundo com o seu cocoricó. Quando o Clarim cantava, o fazendeiro levantava, as vacas iam pro pasto, as galinhas saíam do galinheiro e o dia começava direitinho. Mas uma noite, o Clarim ficou acordado até tarde, contando estrelas e batendo papo com o grilo. "Amanhã eu acordo fácil", pensou. Não acordou. Dormiu, dormiu, dormiu... e quando abriu os olhos, o sol já estava lá no alto! A fazenda inteira tinha virado bagunça: o fazendeiro perdeu a hora da feira, as vacas mugiam confusas, os pintinhos tomaram café na hora do almoço. "Cadê o cocoricó?", reclamavam todos. O Clarim ficou com a crista murcha de vergonha. Ele podia inventar desculpa — "foi o grilo!", "foi a lua!" — mas respirou fundo e subiu na cerca: "Fui eu. Dormi demais porque fiquei acordado até tarde. A culpa foi minha, e eu peço desculpas. Amanhã eu estarei no meu posto." Naquela noite, o Clarim recusou o papo do grilo — "hoje não, amigo, tenho responsabilidade cedo" — e dormiu na hora certa. De madrugada, antes mesmo do céu clarear, lá estava ele no poleiro mais alto. E quando o primeiro raio de sol apontou: "COCORICÓÓÓ!" — o cocoricó mais bonito e pontual da história daquela fazenda. O dia inteirinho funcionou direitinho. E o Clarim aprendeu que trabalho importante se cuida antes: quem tem compromisso de manhã, guarda a noite pra dormir.