
Era uma vez um papagaio chamado Louro, verde e falante, que repetia tudo o que ouvia. E esse era justamente o problema: o Louro tinha morado numa casa onde as pessoas viviam de mau humor, e aprendeu um monte de palavras feias e gritos. Quando ele chegou na casa nova, da família da Lili, foi aquele susto: "SAI DAQUI!", gritava o papagaio. "QUE DROGA!" A Lili ficava vermelha quando as visitas chegavam, e a vovó tapava os ouvidos. "Esse papagaio não tem jeito", disse o tio. Mas a Lili discordou: "Ele só repete o que ensinaram. Então a gente ensina diferente." E começou a campanha da gentileza. Toda manhã, a Lili chegava na gaiola e dizia, docinho: "Bom dia, Louro querido!" Na hora do lanche: "Muito obrigada!" Antes de dormir: "Boa noite, durma bem!" A família inteira entrou na dança: só palavra bonita perto do papagaio. Nos primeiros dias, o Louro ainda soltava as suas grosserias. Mas ninguém gritava de volta — apenas continuavam com as palavras boas, todos os dias, com paciência. Até que uma manhã, quando a vovó passou pela gaiola, ouviu-se: "Bom dia, querida!" A casa inteira parou. Era o Louro! Depois veio o "obrigada!", o "boa noite!", e até um "te amo!" que ele aprendeu ouvindo a mamãe falar com a Lili. O Louro virou o papagaio mais educado da rua. E a Lili, sem saber, ensinou uma lição pra família toda: a gente aprende as palavras que escuta. Por isso, quem quer um mundo mais gentil... começa falando bonito dentro de casa.