
Era uma vez uma formiguinha que desceu até o riacho pra beber água. Ela chegou bem na beiradinha, esticou-se toda... e escorregou! Caiu na correnteza e foi levada pela água, agitando as perninhas: "Socorro! Eu não sei nadar!" Lá do alto de uma árvore, uma pomba viu tudo. Rapidinha, ela arrancou uma folha com o bico e soltou na água, bem perto da formiga. "Sobe na folha, pequenina!" A formiga se agarrou à folha como num barquinho, e a correnteza mesma foi empurrando até a margem. Salva! "Muito obrigada, dona pomba! Você salvou a minha vida!", gritou a formiguinha lá de baixo. "Um dia eu retribuo!" A pomba sorriu, achando graça: o que uma formiguinha tão pequena poderia fazer por um pássaro? Dias depois, um caçador entrou na floresta. Ele viu a pomba no galho, distraída, e armou a sua rede bem devagarinho, sem fazer barulho. A pomba não percebia o perigo! Mas a formiguinha percebeu. Ela subiu pelo pé do caçador correndo, correndo, e — nhac! — deu uma picadinha bem no tornozelo dele. "AI!", gritou o caçador, pulando de perna só. Com o barulho, a pomba acordou do sossego e voou pra longe, salva! Lá do céu, a pomba olhou pra baixo e viu a formiguinha acenando. "Eu disse que retribuía!", gritou ela, orgulhosa do tamanho que tinha. E as duas ficaram amigas para sempre. Porque a gratidão é assim: quem recebe o bem, guarda no coração — e devolve na primeira oportunidade, não importa o tamanho que tenha.