
Era uma vez, num reino muito distante, uma princesa chamada Estela, que tinha um costume que ninguém entendia: toda noite, ela subia na torre mais alta do castelo e conversava com as estrelas. "Princesa, estrela não responde", diziam os conselheiros do rei. Mas Estela sorria: "Elas não respondem com palavras. Elas respondem ficando lá — acesas, mesmo na noite mais escura. Isso já é uma resposta." Um ano, uma tristeza cobriu o reino: a chuva parou de cair. Os rios minguaram, as plantações secaram, e o povo foi perdendo a alegria junto com a colheita. "Não adianta mais plantar", diziam os camponeses, de cabeça baixa. "Não adianta mais esperar." O próprio rei, cansado, mandou fechar as janelas do castelo: "Não quero ver esse céu sem nuvens." Mas a Estela continuou subindo a torre. Toda noite, olhava as estrelas e dizia pro reino que dormia: "Enquanto elas estiverem acesas, eu não desisto." E ela não ficava só olhando: de dia, ensinava as crianças a guardar cada caneca de água, a plantar as sementes mais fortes, a cuidar das mudinhas na sombra. "Pra quando a chuva voltar, a terra estar pronta", explicava. "E se a chuva não voltar?", perguntou um menino. Estela apontou o céu: "Você já viu a noite ficar tão escura que apagasse as estrelas? Pois é. Não existe seca que apague o céu. A chuva volta. Nós é que precisamos estar prontos." As crianças acreditaram. Depois os pais das crianças. E o reino inteiro, aos poucos, voltou a preparar a terra — não porque a chuva tinha chegado, mas porque a esperança tinha. E numa madrugada, a Estela sentiu no rosto o primeiro pingo. Depois outro. Depois uma chuva mansa e generosa, molhando a terra que o reino inteiro tinha deixado pronta. A colheita daquele ano foi a mais bonita da história. No portão do castelo, o rei mandou escrever as palavras da filha, pra ninguém nunca esquecer: "Esperança não é esperar de braços cruzados. É preparar a terra enquanto se olha pro céu.