
Era uma vez três irmãos castores que resolveram construir, cada um, a sua represa no rio. O primeiro, apressado, empilhou galhos finos de qualquer jeito: "Pronto! Terminei primeiro! Agora vou brincar!" O segundo caprichou um pouco mais, usou galhos médios, mas na metade cansou: "Ah, tá bom assim. Também quero brincar." Já o terceiro castorzinho escolheu tronco por tronco. Testava cada um, encaixava, reforçava com barro, conferia de novo. Os irmãos riam da margem: "Deixa de ser lento! Vem brincar! A sua represa nunca vai ficar pronta!" Mas ele continuava, no seu ritmo: "Represa segura não se faz com pressa." E toda tarde, quando terminava a parte do dia, aí sim ia brincar com os irmãos — com a consciência tranquila. Semanas depois, veio a grande cheia. O rio cresceu, marrom e forte, empurrando tudo pela frente. A represa de galhos finos? Desmanchou na primeira onda. A represa pela metade? Aguentou um pouco... e cedeu. Os dois irmãos tiveram que nadar às pressas pra casa do terceiro — cuja represa firme segurou a correnteza, protegendo a toca dos três, sequinha e segura, enquanto a água bramia lá fora. "Pode falar", disse o irmão apressado, encharcado e envergonhado. "Fala 'eu avisei'." Mas o terceiro castorzinho só abriu espaço na toca: "Entrem. Amanhã eu ensino vocês a construir. Dessa vez, do jeito certo." E na primavera seguinte, havia três represas firmes naquele rio — porque perseverar não é só não desistir do trabalho. É também não desistir de ensinar quem a gente ama a fazer melhor.