
Era uma vez um reino encantado onde havia mil sinos: sinos nas torres, sinos nas árvores, sininhos nas portas das casas. Quando todos tocavam juntos, ao entardecer, fazia-se a música mais bonita do mundo — e era por ela que o reino era famoso. O príncipe Dó tinha o sino mais grandioso de todos, na torre mais alta. Mas ele vivia sozinho lá em cima, e um dia percebeu uma coisa triste: sino sozinho, por maior que seja, faz só "blém". Uma nota só. A música bonita, mesmo, só existia quando todos tocavam juntos. O problema é que o príncipe não conhecia ninguém. Passava os dias na torre, achando que príncipe não se mistura. Até que ouviu, vindo lá de baixo, um sininho pequenino tocando uma melodia alegre, diferente de tudo. Era a Mi, filha da sineira, tocando o menor sino do reino — um sininho de porta de padaria. O príncipe desceu da torre pela primeira vez em anos. "Como você faz seu sino cantar assim?" A Mi riu: "Sino não canta sozinho, príncipe. Eu toco pensando nas pessoas. Vem, eu te apresento todo mundo!" E lá foi o príncipe, de casa em casa, conhecendo os donos de cada sino: o padeiro do sino rouco, as gêmeas dos sininhos gêmeos, o pescador do sino que imitava onda. Cada pessoa, uma história. Cada história, um som. No entardecer seguinte, quando os mil sinos tocaram, o príncipe tocou o dele pensando em cada amigo novo — e dizem que nunca, em toda a história do reino, a música soou tão bonita. Porque o príncipe Dó aprendeu o que a Mi sabia desde pequena: a vida é como o reino dos sinos. Sozinho, cada um faz "blém". Juntos, a gente faz música.