✦✦✦✦
Era uma vez logo
Era uma vez
Histórias para a hora de dormir
✦✦
Era uma vez
O Caranguejo que Guardava Conchinhas
Generosidade3 min · 3-6 anos (geral)
Ouvir · em breve
Assistir · em breve
Tamanho
Era uma vez…

Era uma vez, no fundo azul do mar, um caranguejo-eremita chamado Renato, que adorava colecionar conchinhas. Ele tinha conchas de todas as cores: rosa, branquinha, listrada, brilhante como pérola, e até uma dourada que brilhava como o sol quando um raio de luz atravessava a água. Guardava cada uma delas numa gruta escondida atrás dos corais, arrumadinhas em fileiras, do menor para o maior, e passava o dia inteiro admirando o seu tesouro, sozinho. Quando os amigos chamavam Renato para brincar de pega-pega entre as algas, ele sempre respondia: "Agora não, preciso arrumar minhas conchinhas." Quando o polvinho Otto passava e perguntava se podia só olhar de pertinho a coleção, Renato escondia tudo com as duas patinhas e dizia: "Melhor não, alguém pode confundir e levar a errada." Aos poucos, no recife inteiro, todo mundo já sabia: Renato era o caranguejo que nunca, nunca emprestava nada. E cada vez ele brincava menos com os amigos, ocupado demais contando e recontando suas conchinhas. Um dia, uma tempestade forte agitou o mar inteiro. As ondas reviraram a areia, quebraram corais e espalharam tudo pelo caminho. Quando as águas se acalmaram, a amiga de Renato, uma pequena garoupa chamada Bia, veio nadando triste até a gruta dele. "Renato", disse ela, com a vozinha tremendo, "minha casinha de concha quebrou na tempestade. Estou sem lugar para morar." Renato olhou para a sua pilha enorme de conchinhas e sentiu um aperto esquisito no peito. Ele tinha tantas, tantas conchas — dava para emprestar até dez e nem ia sentir falta. Mas, por um instante, pensou: "E se eu emprestar a minha favorita e ela não quiser mais devolver? E se as outras conchinhas ficarem com ciúmes de sumir uma da coleção?" E ficou ali, hesitando, com a patinha em cima do montinho, sem conseguir decidir. Bia, vendo que Renato demorava tanto a responder, baixou a cabeça e disse, com a voz bem baixinha: "Tudo bem, eu procuro em outro lugar." E foi nadando devagar, sozinha, procurando entre os corais quebrados, sem nem olhar para trás. Foi vendo a amiga se afastar tão triste que Renato sentiu o coração apertar de verdade, mais forte do que qualquer aperto que já tinha sentido antes. Ele olhou para a montanha de conchinhas — tantas cores, tantos brilhos — e percebeu, de repente, que nenhuma delas brilhava tanto quanto o sorriso de uma amiga feliz. Então saiu correndo, de lado como só os caranguejos sabem correr, esbarrando até num coral no caminho de tanta pressa, e alcançou Bia bem na hora em que ela ia entrar numa gruta vazia e fria. "Espera! Olha, escolhe a que você mais gostar. Pode ficar com ela para sempre, de presente." Bia parou, sem acreditar no que ouvia. "Tem certeza, Renato? Você nunca empresta nada..." Renato respirou fundo e sorriu, meio sem jeito. "Eu sei. Mas hoje eu entendi uma coisa: guardar sozinho não é tão bom quanto eu pensava." Os olhinhos de Bia brilharam de alegria. Ela escolheu uma conchinha listrada, do tamanho perfeito, e vestiu na hora, girando de felicidade na água. "Ficou linda em você", disse Renato, sorrindo largo. E, para a surpresa dele mesmo, sentiu uma alegria diferente, mais gostosa do que a de simplesmente guardar conchinhas sozinho numa gruta escura. A notícia correu rápido pelo recife. No dia seguinte, foi o polvinho Otto quem apareceu, timidamente, perguntando se podia ver a coleção de pertinho. Dessa vez, Renato abriu a gruta toda e disse: "Pode escolher uma para levar, se quiser." Otto escolheu a conchinha dourada, a mais brilhante de todas, e Renato nem sentiu pena — só alegria de ver o amigo tão feliz. Dali em diante, Renato continuou gostando de conchinhas, mas aprendeu a coisa mais importante: guardar é bom, mas dividir é ainda melhor. Sempre que encontrava uma concha bonita, já pensava logo em qual amigo ia adorar ganhar aquela. E suas brincadeiras de pega-pega entre as algas, com todos os amigos do recife rindo ao seu redor, essas sim, viraram o verdadeiro tesouro de Renato.

Para conversar
Renato descobriu que dividir suas conchinhas com a amiga deixou o coração dele mais feliz do que guardar tudo sozinho. Tem alguma coisa sua que você poderia dividir com um amigo hoje?
Esta história também fala deAmizadePartilha
Era uma vez… Terminamos!
Avaliar e ver a próxima