Era uma vez um passarinho chamado Chico, que estava construindo o seu primeiro ninho lá no alto de uma árvore de galhos compridos. Ele pegava um gravetinho aqui, uma folha ali, e ia empilhando tudo depressa, depressa, sem parar para arrumar direito. "Quero terminar logo, para poder brincar com meus amigos lá embaixo!", dizia ele, jogando mais um gravetinho torto em cima da pilha, quase sem olhar para onde caía. Perto dali, no chão do jardim, Dona Formiga trabalhava devagar, carregando um grãozinho de cada vez, formando uma fila comprida rumo ao formigueiro. Ela olhou para cima e viu o ninho tremendo lá no galho. "Chico", disse ela, "um ninho bem-feito precisa de tempo. Cada gravetinho tem que encaixar certinho, ou ele não aguenta o vento." Mas Chico estava impaciente, batendo as asinhas de ansiedade. "Ah, Dona Formiga, isso demora demais! Lá embaixo os outros passarinhos já estão brincando de esconde-esconde entre as folhas, e eu quero ir logo." E continuou empilhando galhos de qualquer jeito, torto para lá, torto para cá, cada vez mais rápido, até que o ninho ficou pronto — ou quase pronto, na cabeça apressada de Chico. Ele voou até os amigos, brincou a tarde inteira, e nem pensou mais no ninho. Mas, ao voltar ao entardecer, encontrou o irmão mais velho olhando preocupado para a construção torta. "Chico, esse ninho está balançando até sem vento nenhum", avisou ele. Chico deu de ombros. "Está bom assim. Amanhã eu arrumo, se precisar." Naquela mesma noite, um ventinho fraco começou a soprar. Foi só um pouquinho mais forte, e o ninho todo tremeu, balançou e — pluft! — desmoronou, espalhando gravetos pela grama toda, bem debaixo da lua. Chico acordou assustado, caído entre as folhas, sem entender direito o que tinha acontecido. Olhou para a bagunça ao redor, com o bico caído de tristeza, e sentiu vergonha de não ter escutado o conselho. Dona Formiga, que tinha visto tudo lá de baixo, aproximou-se devagarinho na manhã seguinte. "Não fique triste, Chico. Isso acontece quando a gente tem pressa demais para as coisas importantes. Vem, eu te mostro um jeitinho." E ensinou, gravetinho na patinha: "Escolhe um de cada vez. Encaixa bem apertadinho antes de pegar o próximo. Demora mais, é verdade, mas fica firme." Chico respirou fundo, dessa vez de verdade, e resolveu tentar do jeito de Dona Formiga. Pegou o primeiro gravetinho, encaixou com cuidado. Pegou o segundo, apertou bem, testando com o biquinho se estava firme. Foi devagar, gravetinho por gravetinho, sem pressa nenhuma, mesmo quando a vontade de terminar logo e ir brincar apertava por dentro do peitinho. Demorou bem mais tempo do que da primeira vez — o dia inteiro, quase — mas quando o sol já ia se pondo, o ninho de Chico estava pronto: redondinho, firme e bem encaixado. Ele pulou dentro para testar, saltitou de um lado para o outro, e o ninho nem tremeu um pouquinho. Naquela noite, o vento soprou de novo, agora bem mais forte do que da vez anterior. Os galhos da árvore balançaram, as folhas voaram longe, mas o ninho de Chico ficou firme no seu lugar, seguro, com Chico dormindo tranquilo lá dentro. Na manhã seguinte, foi o irmão mais velho quem veio pedir ajuda: seu próprio ninho tinha ficado torto também. Chico, com orgulho, sentou-se ao lado dele e disse: "Vem, eu te mostro o jeitinho que a Dona Formiga me ensinou. Um gravetinho de cada vez." E, olhando para o trabalho bem-feito dos dois, entendeu de vez a lição: as coisas feitas com paciência, devagar e com cuidado, são as que ficam de pé quando o vento sopra forte.