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Histórias para a hora de dormir
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Era uma vez
A Amiga que Sentou na Figueira
Empatia4 min · 3-6 anos (geral)
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Era uma vez…

Era uma vez uma menina chamada Ester que morava numa pequena vila cercada de oliveiras, onde quase todo mundo se conhecia pelo nome. Todas as tardes, depois de ajudar a mãe a carregar água do poço, Ester corria para a praça para brincar com as outras crianças até o sol se esconder atrás das colinas. Um dia, no caminho para a praça, ela reparou num homem velho sentado sozinho debaixo de uma figueira. Ele estava lá na tarde seguinte. E na outra. Sempre na mesma hora, sempre sozinho, olhando para o nada. As crianças passavam correndo por perto, os adultos acenavam de longe sem parar, e ninguém sentava para conversar com ele. — Quem é aquele senhor? — Ester perguntou à mãe. — Chama-se Simeão — respondeu ela, sem parar de amassar o pão. — Os filhos dele se mudaram para uma cidade distante, faz anos. As pessoas daqui têm pressa demais para notar que ele fica sozinho. Ester pensou nisso a noite inteira, deitada olhando para o teto de palha. No dia seguinte, quando as outras crianças correram para a praça, ela fez algo diferente: caminhou até a figueira e sentou-se ao lado de Simeão. — O que o senhor está olhando? — perguntou, sem saber bem o que dizer. Simeão virou a cabeça devagar, surpreso por alguém ter parado. — Estou olhando as andorinhas. Elas sempre voltam para o mesmo ninho, ano após ano, não importa quão longe voem. Ele contou histórias da vila de quando era menino, dos amigos que teve, dos filhos que hoje moravam tão longe que quase não escreviam mais cartas. Ester ficou ali até o sol baixar, ouvindo cada palavra com atenção. No dia seguinte, um garoto chamado Davi riu dela na praça. — Por que você fica com o velho chato em vez de jogar com a gente? — perguntou, sem entender. Ester não soube explicar direito. Ela só sabia que, quando estava com Simeão, alguma coisa dentro dele parecia ficar mais leve — e isso valia mais do que qualquer jogo. Poucos dias depois, veio o dia mais esperado do ano: o festival da colheita, com música, doces e o jogo de bola que todas as crianças aguardavam a estação inteira. Ester olhou para a praça cheia de risadas e correria, depois olhou para a figueira, onde Simeão já estava sentado, sozinho como sempre, como se nem soubesse que havia festa. Seu peito apertou — ela queria muito ir à festa. Mesmo assim, escolheu caminhar até a figueira. — Você não vai à festa? — perguntou Simeão, quase sem acreditar. — Prefiro ficar aqui hoje — disse Ester, sentando-se na grama ao lado dele. Dias se passaram assim. Ela aprendeu os nomes dos pássaros que ele conhecia, as histórias antigas da vila, os nomes das pessoas que ele tinha amado e perdido de vista com o tempo. Uma tarde, sem que Ester pedisse nada, duas outras crianças pararam por curiosidade, atraídas pelas risadas vindas de debaixo da figueira. Depois, mais uma. Aos poucos, o lugar que era só de Simeão virou o lugar preferido de todos, cheio de histórias e perguntas. Quando o céu ficou da cor de mel e as andorinhas voaram baixo antes da noite, Simeão olhou ao redor, para as crianças sentadas na grama esperando mais uma história, e sua voz saiu embargada: — Faz muito tempo que ninguém sentava aqui assim comigo. Ester sorriu. Ela tinha trocado uma tarde de festa por uma tarde de amizade — e, vendo Simeão rir com as outras crianças ao seu redor, sabia que não tinha perdido nada. Naquela noite, deitada na cama, Ester pensou em quantas pessoas devem existir por aí, sentadas sozinhas debaixo de suas próprias figueiras, esperando que alguém apenas parasse e perguntasse: "O que o senhor está olhando?"

Para conversar
Ester trocou uma festa por uma tarde ao lado de alguém sozinho. Você já percebeu alguém que parecia sozinho perto de você?
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Era uma vez… Terminamos!
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