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Era uma vez
Histórias para a hora de dormir
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Era uma vez
Raio e a Corrida Mais Importante
Responsabilidade4 min · 3-6 anos (geral)
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Era uma vez…

Era uma vez um super-herói pequeno chamado Raio, que tinha o poder de correr mais rápido do que qualquer coisa na cidade. Ele adorava usar seu poder para uma única coisa: brincar. Corria em volta do quarteirão só por diversão, disputava corridas com os carros no sinal vermelho, e ria sozinho ao ver tudo passar borrado pela velocidade. Um sábado de manhã, bem quando Raio se preparava para correr até o playground novo do outro lado da cidade, o comunicador em seu punho apitou. — Raio, precisamos de você — disse a voz da central. — Uma ponte está com um cabo solto na represa. Os engenheiros levarão uma hora para chegar, mas a água está subindo rápido perto da vila de pescadores. Alguém precisa alertar as famílias antes que a represa transborde. Raio olhou para o playground brilhando ao longe, com os amigos já esperando por ele lá. — Não pode ser outro herói? — perguntou, com a voz meio manhosa. — Só você é rápido o bastante para chegar a tempo — respondeu a central. Raio suspirou, olhou mais uma vez para o playground, e decidiu correr na direção contrária — para a represa. O caminho era longe, cheio de subidas e pedras soltas. Raio passou correndo bem perto do playground, ouviu os amigos rindo e chamando seu nome, e por um segundo quase virou o rumo. Seus pés doíam, e uma parte dele só queria voltar e brincar como sempre fazia. No meio do caminho, encontrou uma ponte de madeira balançando sobre um rio estreito, com uma tábua quebrada bem no meio. Ele podia dar a volta por uma trilha mais longa, ou arriscar atravessar rápido, num pulo só. Olhou para o relógio interno que sempre carregava na cabeça, calculando quanto tempo perderia com o desvio, e decidiu arriscar o pulo — chegou do outro lado com o coração disparado, mas inteiro. Continuou correndo, agora com as pernas ainda mais cansadas. Pensou nas famílias que nem sabiam do perigo que se aproximava, nos animais de estimação, nas crianças pequenas demais para correr rápido se a água chegasse de repente. Isso foi o suficiente para fazer suas pernas encontrarem mais força do que ele sabia que tinha. Quando chegou à vila de pescadores, gritou o mais alto que pôde, batendo de porta em porta: — A represa pode transbordar! Precisam sair de aviso! No começo, algumas pessoas duvidaram — Raio era conhecido na cidade mais por suas brincadeiras do que por avisos sérios. Um pescador velho balançou a cabeça: — Esse menino só quer brincar de herói. Mas o barulho da água, cada vez mais alto vindo da represa, convenceu todo mundo. Famílias inteiras saíram carregando o que podiam, crianças no colo, animais pela coleira, e subiram para o terreno mais alto, exatamente quando um jato de água começou a escapar pelo cabo solto, formando uma cachoeira nova onde antes não havia nada. Os engenheiros chegaram pouco depois e consertaram o problema. Ninguém se machucou. O pescador velho que tinha duvidado dele agora apertava sua mão pequena com as duas mãos grandes e calejadas. — Eu estava errado sobre você, garoto. Obrigado. Naquela noite, o prefeito da cidade quis fazer uma festa em homenagem a Raio, com faixas, discursos e até um bolo em formato de raio. Mas Raio, cansado das pernas até a ponta dos pés, pediu para que não fizessem alarde. — Só fiz o que precisava ser feito — disse ele, meio sem graça. No dia seguinte, quando o playground novo finalmente abriu, Raio correu até lá o mais rápido que pôde — dessa vez, sem culpa nenhuma, porque sabia que tinha feito a escolha certa no dia anterior. Brincou até o sol se pôr, sabendo que, na próxima vez que o comunicador apitasse, ele estaria pronto para escolher de novo.

Para conversar
Raio escolheu ajudar mesmo quando queria brincar. Já foi difícil para você escolher fazer algo importante em vez de algo divertido?
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