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Era uma vez
Histórias para a hora de dormir
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Era uma vez
Bibi e o Veado da Floresta
Confiança6 min · 3-6 anos (geral)
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Era uma vez…

Era uma vez um filhote de corça chamado Bibi que vivia numa floresta grande, cheia de sons que ela ainda não conhecia. Bibi tinha acabado de aprender a andar direito nas próprias pernas finas, e sua mãe passava os dias mostrando onde encontrar água fresca e folhas doces. Uma tarde, enquanto seguia atrás da mãe, Bibi se distraiu com uma borboleta azul e virou por um caminho diferente entre as árvores. Quando percebeu, não via mais o rabo branco da mãe entre os arbustos. Só folhas, sombras, e sons que ela não sabia identificar. O coração de Bibi bateu forte. Ela deu alguns passos, parou, deu outros passos na direção errada. A floresta parecia maior e mais escura do que nunca. Foi então que ouviu um som de cascos batendo no chão, vindo de um caminho ao lado. Era um veado velho, de chifres grandes, que os outros animais da floresta chamavam de Vovô Chifre. Bibi já tinha ouvido falar dele, mas nunca tinha se aproximado — ele era grande, e ela não o conhecia direito. — Está perdida, pequena? — perguntou Vovô Chifre, com a voz mais suave do que Bibi esperava. Bibi hesitou. Sua mãe sempre dizia para ter cuidado com animais desconhecidos. Mas o sol já estava baixando, e ela não fazia ideia de qual caminho seguir sozinha. — Perdi minha mãe — disse Bibi, com a voz tremendo. — Eu conheço cada trilha desta floresta há muitas estações — disse Vovô Chifre. — Posso te ajudar a farejar o caminho de volta, se você confiar em mim e seguir do meu lado. Bibi olhou para os chifres grandes, para o tamanho do veado, e sentiu medo. Lembrou de todas as vezes que a mãe tinha dito para desconfiar de estranhos na floresta. Mas o sol descia cada vez mais rápido atrás das árvores, as sombras ficavam compridas, e ela sabia que sozinha não encontraria o caminho antes de escurecer. Respirou fundo e deu o primeiro passo ao lado dele. Vovô Chifre andava devagar, parando a cada trecho para farejar o ar e escutar os sons da mata. Bibi seguia de perto, ainda insegura, pulando a cada galho que estalava. Em um momento, um barulho forte veio de trás de uns arbustos, e Bibi quase saiu correndo sozinha — mas Vovô Chifre esticou a cabeça na frente dela, calmo, e disse: — É só um tatu cavando. Continue do meu lado. Bibi engoliu o medo e continuou, os passos ainda hesitantes, mas cada vez mais firmes. Vovô Chifre não apressava o passo nem parecia impaciente com o jeito desconfiado dela — só seguia, calmo, parando sempre que Bibi parava. Aos poucos, ela começou a reconhecer alguns troncos, algumas pedras, um riacho estreito que tinha atravessado antes com a mãe. E então, entre as árvores, viu o pelo castanho e o rabo branco balançando: sua mãe, procurando por ela com passos apressados. Bibi correu os últimos metros e encostou a cabeça no pescoço da mãe. Quando se virou para agradecer, Vovô Chifre já estava se afastando devagar entre as árvores, retomando seu caminho solitário. — Ele parecia assustador — disse Bibi à mãe —, mas me ajudou de verdade. — Às vezes — respondeu a mãe, lambendo a cabeça da filha com carinho —, é preciso confiar um pouco para descobrir quem realmente pode ajudar. Naquela noite, deitada perto da mãe enquanto as estrelas apareciam por entre os galhos, Bibi pensou em Vovô Chifre caminhando sozinho pela floresta escura, e prometeu a si mesma que, da próxima vez que o visse, não teria mais medo de se aproximar.

Para conversar
Bibi teve medo, mas confiou em quem parecia poder ajudar. Já foi difícil confiar em alguém novo?
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