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Histórias para a hora de dormir
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Era uma vez
Nino e o Caminho Estreito
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Era uma vez…

Era uma vez um esquilo chamado Nino, que vivia numa árvore alta no meio da floresta e tinha uma fama: era o mais rápido de todos. Corria pelos galhos, pulava de árvore em árvore, e nunca, nunca esperava a vez de ninguém. Todo outono, os animais da floresta guardavam comida para o inverno usando o mesmo caminho estreito que ligava o campo de nozes ao tronco velho onde todos escondiam seus mantimentos. Era um caminho de um só, e por isso, era preciso esperar a vez. Nino não gostava de esperar. Quando via a fila de animais carregando suas nozes, sementes e bolotas, simplesmente pulava por cima, ou espremia entre as pernas de quem estava passando, derrubando tudo pelo caminho. "Depois eu ajudo a catar", ele dizia, já longe. Os outros animais reclamavam baixinho — uma coruja balançava a cabeça, um ouriço se encolhia para não ser atropelado, uma família de coelhos aprendeu a esperar Nino passar antes de sair de casa. Mas ninguém dizia nada na cara dele. Afinal, ele era rápido, forte, e sempre parecia estar com pressa de chegar a algum lugar importante. Um dia, na frente da fila, estava um camundongo pequeno chamado Théo, carregando uma bolota quase do tamanho dele. Théo andava devagar, com cuidado, porque se deixasse cair, não teria forças para levantá-la de novo. Ele tinha passado a manhã inteira procurando aquela bolota perfeita, sem furos, sem rachaduras, para guardar bem no fundo da toca antes do frio chegar. Nino, sem olhar, passou correndo por cima do caminho e esbarrou em Théo. A bolota rolou, rolou, e caiu num buraco fundo demais para o camundongo alcançar. Théo ficou ali, parado, olhando para o buraco, sem dizer nada — só com os olhinhos cheios d'água. Nino, que já estava longe, parou. Alguma coisa naquele silêncio o fez virar. Voltou correndo e viu Théo tentando, sem sucesso, esticar o bracinho para dentro do buraco. "Eu... eu fiz isso", disse Nino, baixinho. Era a primeira vez que ele parava para olhar o estrago que deixava para trás. Ele se deitou na beira do buraco, esticou o corpo todo e, com a ponta das patas, conseguiu alcançar a bolota. Não foi fácil — o buraco era fundo, e por duas vezes a bolota escorregou dos seus dedos antes de finalmente subir. Devolveu para Théo com as duas mãos, devagar, como quem entrega algo importante. "Desculpa por não ter esperado a sua vez", disse Nino. "Esse caminho é de todo mundo, não só meu." Théo olhou para a bolota, depois para Nino, e apertou o pequeno tesouro contra o peito. "Obrigado", disse, com a voz ainda tremendo um pouco. Foi a primeira vez que alguém tão rápido quanto Nino parava de verdade para olhar para ele. A partir daquele dia, Nino continuou sendo o esquilo mais rápido da floresta — mas no caminho estreito, ele passou a esperar. Ficava atrás de quem chegava primeiro, ajudava quando alguém carregava peso demais, e observava por onde pisava. Os outros animais notaram a diferença. O caminho estreito, que antes era motivo de sustos e nozes espalhadas pelo chão, virou um lugar tranquilo, onde cada um esperava a vez do outro sem pressa. A coruja parou de balançar a cabeça, o ouriço deixou de se encolher, e a família de coelhos passou a sair de casa na hora que quisesse, sem medo de ser atropelada. E Théo, o pequeno camundongo, passou a guardar suas bolotas bem ao lado do buraco de Nino, porque sabia que ali tinha um vizinho que agora olhava por onde pisava. Às vezes, quando o inverno se aproximava e o caminho ficava movimentado de novo, era o próprio Nino quem parava na entrada do caminho estreito, avisando cada animal: "Pode ir, eu espero."

Para conversar
Nino era o mais rápido, mas aprendeu a esperar a vez dos outros. Você acha que respeitar a vez de alguém é mais difícil quando estamos com pressa?
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