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Histórias para a hora de dormir
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Era uma vez
A Folha em Branco de Manu
Criatividade4 min · 3-6 anos (geral)
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Era uma vez…

Era uma vez uma menina chamada Manu, que adorava desenhar, mas tinha um problema: quando a professora pedia para fazer um desenho "livre", sua folha ficava em branco por um tempo enorme, enquanto os outros já estavam pintando castelos, dinossauros e foguetes. Naquela semana, a escola preparava uma exposição: cada criança deveria trazer uma obra de arte feita com o que tivesse em casa, sobre o tema "o meu lugar favorito". A professora explicou que não precisava ser um desenho perfeito, só precisava ser verdadeiro — mas para Manu, aquilo soava ainda mais difícil do que desenhar bonito. Manu pensou em desenhar a praia, igual todo mundo desenhava, com um sol amarelo e ondas azuis. Mas cada vez que pegava o lápis, achava o desenho parecido demais com os dos coleguinhas, e desistia no meio do primeiro traço. Na hora do recreio, viu sua amiga Bel terminando um desenho lindo de um jardim, cheio de flores coloridas. "Posso copiar a sua ideia, só mudando um pouquinho?", perguntou Manu, quase sem coragem de olhar nos olhos dela. Bel deu de ombros. "Pode, se quiser." Mas Manu, voltando para sua mesa com o lápis na mão, sentiu um aperto esquisito no peito. Não era bem aquilo que ela queria fazer. Ficou olhando para o próprio esboço de jardim, quase igual ao de Bel, e não conseguiu continuar nem mais um traço. Naquela tarde, em casa, Manu se sentou na varanda com a folha em branco de novo. Olhou ao redor: não tinha um jardim de flores, nem uma praia. Tinha a varanda cheia de vasos de plantas da vovó, um balde velho virado de cabeça para baixo que servia de banquinho, e a luz laranja do fim de tarde batendo em tudo. Foi ali, olhando aquela bagunça comum de todo dia, que uma ideia começou a crescer. Em vez de desenhar com lápis de cor, Manu pegou folhas secas que tinham caído dos vasos, pétalas amassadas, e um pedacinho de barbante. Colou tudo na folha, formando o contorno da própria varanda — os vasos viraram círculos de folha seca, o balde virou um retângulo de barbante enrolado, e a luz laranja do fim de tarde ela tentou representar com pedacinhos de papel crepom amassado que achou numa caixa velha de artesanato. Não parecia com nada que ela tinha visto antes. Por um momento, teve vontade de rasgar e recomeçar com lápis, do jeito "normal". Mas respirou fundo e decidiu terminar do seu jeito, mesmo sem saber se ia ficar bonito. No dia da exposição, os desenhos ficaram todos pendurados na parede: praias, castelos, jardins coloridos — e, no meio deles, a varanda de folhas secas e barbante de Manu. As crianças pararam na frente dela, curiosas. "Isso não é tinta?", perguntou um menino, tocando de leve numa pétala colada. Bel, que estava do lado, olhou para o desenho de Manu por um bom tempo e disse: "Isso é bem melhor do que se você tivesse copiado o meu jardim." Manu sorriu, sentindo o peito mais leve do que tinha sentido a semana inteira. A professora chamou Manu para contar como tinha feito. Com a voz um pouco trêmula no começo, ela explicou cada material, cada escolha. Quanto mais falava, mais sua voz ficava firme, e mais os colegas se aproximavam para ver de perto. Naquela noite, Manu guardou a folha em branco que tinha sobrado na gaveta — mas agora, olhar para ela não dava mais aquele aperto no peito. Dava vontade de descobrir o que mais podia inventar, da próxima vez que ninguém soubesse por onde começar. E, pela primeira vez, uma folha em branco parecia menos um problema e mais um convite.

Para conversar
Manu quase copiou a ideia da amiga, mas encontrou seu próprio jeito de criar. Você prefere fazer algo parecido com todo mundo, ou tentar um jeito diferente, mesmo sem saber se vai dar certo?
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