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Histórias para a hora de dormir
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Era uma vez
O Manto de Estrelas da Princesa
Generosidade4 min · 3-6 anos (geral)
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Era uma vez…

Era uma vez uma princesa chamada Alma, que vivia num reino cercado de montanhas onde os invernos eram longos e gelados. No dia do seu aniversário, o pai, o rei, presenteou-a com um manto tecido pelos melhores costureiros do reino — um tecido tão especial que, à luz da lua, parecia brilhar como se tivesse estrelas costuradas dentro dele. Era, sem dúvida, o presente mais bonito que Alma já tinha recebido. Ela mal via a hora de usar o manto na Festa de Inverno, que aconteceria dali a três dias na praça principal do reino, onde todos os moradores se reuniam ao redor de fogueiras para comemorar a virada da estação mais fria. Alma imaginava a cena: ela entrando na praça, o manto brilhando sob as estrelas de verdade, todos admirando o presente do rei. Na véspera da festa, Alma decidiu passear pela vila com sua aia, já usando o manto por cima dos ombros, só para se acostumar com o peso e o brilho dele. Foi então que, perto do poço da praça, ela viu uma menina sentada num degrau de pedra, os braços cruzados contra o corpo, tremendo tanto que os dentes batiam. Alma reconheceu a menina: era Bia, filha do sapateiro, que ela já tinha visto brincando perto do castelo outras vezes. Bia contou, com a voz embargada, que o casaco dela tinha rasgado naquela manhã, e não havia dinheiro sobrando para comprar outro antes do inverno passar. Alma sentiu um aperto estranho no peito — não era pena de longe, era como se, por um instante, ela conseguisse sentir o frio que Bia sentia, o vento entrando pelas roupas finas demais. Olhou para o próprio manto, ainda novo, ainda cheirando a tecido recém-tecido, e pensou em como seria bonito usá-lo na festa do dia seguinte, brilhando para todo o reino ver. Mas olhou de novo para Bia, tremendo ali no degrau frio, e a vontade de brilhar na festa pareceu, de repente, pequena demais perto daquilo. Sem dizer muita coisa, Alma tirou o manto dos próprios ombros e colocou sobre os de Bia, ajeitando a gola para cobrir bem o pescoço dela. "Ele é seu agora", disse Alma, simplesmente. "Acho que você precisa mais dele do que eu preciso de brilhar numa festa." Bia ficou tão surpresa que só conseguiu dizer obrigada baixinho, sentindo o tecido quentinho envolver o corpo pela primeira vez em todo aquele dia. No dia seguinte, na Festa de Inverno, Alma chegou à praça sem o manto de estrelas, usando apenas sua capa comum de sempre. Alguns nobres cochicharam, estranhando a ausência do presente tão falado do rei. Mas então Bia apareceu, do outro lado da praça, envolta no manto brilhante, e contou a quem quisesse ouvir o que a princesa tinha feito por ela. A notícia correu rápido entre as fogueiras. Ainda naquela noite, moradores começaram a tirar cachecóis extras, luvas sobrando, casacos guardados, e foram entregando para quem estava com frio na praça — uma corrente que ninguém tinha planejado, mas que se espalhou de mão em mão como se fosse contagiosa. O rei, observando tudo de longe, se aproximou da filha e perguntou se ela sentia falta do manto. Alma olhou para a praça cheia de gente se aquecendo, rindo perto do fogo, e balançou a cabeça que não. "Ele ainda está brilhando", disse ela, apontando para Bia do outro lado da praça. "Só que agora em outra pessoa." Aquela noite, mesmo sem o manto de estrelas nos ombros, foi a Festa de Inverno de que Alma mais se lembrou em toda a vida — não pelo brilho que ela vestiu, mas pelo que conseguiu espalhar.

Para conversar
Alma abriu mão do presente mais bonito que já tinha ganhado para ajudar Bia. Você acha fácil ou difícil dar algo que a gente ama muito?
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