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Era uma vez
Histórias para a hora de dormir
O Guardião da Floresta Escura
Era uma vez
O Guardião da Floresta Escura
Confiança6 min · 3-6 anos (geral)
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Era uma vez…

Era uma vez um menino chamado Théo que encontrou, dentro de um baú velho e empoeirado no sótão da casa de sua avó, um mapa desenhado à mão em papel amarelado, apontando para uma floresta escura nos limites da vila. No canto do mapa, havia uma frase escrita numa letra torta: "Só quem confiar no guardião vai encontrar o tesouro." Théo levou o mapa para os amigos no dia seguinte, todos animados para a aventura, comparando teorias sobre o que poderia estar escondido lá dentro. Mas quando chegaram à beira da floresta, bem na entrada mais escura, entre troncos grossos e cobertos de musgo, encontraram uma coruja enorme pousada num galho baixo, olhando fixamente para eles com olhos redondos e amarelos que pareciam brilhar mesmo à luz do dia. "Essa coruja parece assustadora", disse um dos amigos, dando um passo para trás, puxando a manga de Théo. "Minha avó conta que corujas nessa floresta enganam quem entra, levam para bem longe do caminho e ninguém mais encontra a saída." Os outros meninos concordaram, nervosos, olhando de esguelha para o bicho, e decidiram esperar do lado de fora, sentados numa pedra grande. Théo olhou para o mapa amassado em suas mãos, depois para a coruja, que continuava parada, sem se mexer, apenas observando com aquele olhar fixo e sério. Alguma coisa nela não parecia má — parecia só séria, como quem está cuidando de algo importante e não tem tempo para brincadeiras. Ele lembrou da frase escrita no mapa: "confiar no guardião". Com o coração batendo forte no peito, as mãos suando frio, Théo deu um passo à frente, sozinho, deixando os amigos para trás. "Você é o guardião?", perguntou, quase sussurrando. A coruja abriu as asas devagar, num movimento silencioso, e voou para um galho um pouco mais adiante, depois virou a cabeça e olhou para trás, como se estivesse esperando que ele a seguisse. Théo respirou fundo, olhando de relance para os amigos que continuavam sentados na pedra, balançando a cabeça para ele não ir. Podia voltar, desistir, guardar o mapa para sempre dentro do baú empoeirado. Ou podia confiar naquele estranho convite silencioso de uma coruja que ele acabara de conhecer. Escolheu seguir. Caminhou atrás dela por entre árvores altas, raízes retorcidas que pareciam querer prender seus pés, sombras que dançavam com o vento lá em cima — sempre com um frio esquisito na barriga, mas sem parar de andar. A coruja guiava exatamente pelos caminhos mais seguros, desviando de buracos fundos escondidos sob montes de folhas secas, de galhos podres prestes a cair com qualquer vento mais forte. Em certo momento, ela parou de repente bem na frente de Théo, bloqueando seu caminho com as asas bem abertas — e um segundo depois, uma pedra grande e pesada despencou de uma árvore alta, caindo com um baque exatamente onde ele ia pisar no passo seguinte. Théo ficou parado, o coração na garganta, e entendeu, ali, que a coruja realmente estava cuidando dele o tempo todo. Continuou seguindo, agora com um pouco mais de confiança nos passos, e depois de mais alguns minutos de caminhada por entre a mata cada vez mais clara, chegaram a uma clareira toda iluminada pelo sol, onde uma pequena arca de madeira esperava, cercada de flores silvestres, exatamente como o mapa prometia. Dentro da arca havia moedas antigas, algumas pedrinhas brilhantes, mas também um bilhete dobrado: "O verdadeiro tesouro é ter coragem de confiar em quem parece diferente." Théo sorriu, guardou o bilhete no bolso da calça, e saiu da floresta carregando a arca nos braços, encontrando os amigos ainda esperando, boquiabertos, sentados na mesma pedra da entrada. Contou tudo o que tinha acontecido, cada detalhe, e daquele dia em diante, sempre que alguém via uma coruja pousada por perto da vila, Théo lembrava do guardião silencioso que confiou nele tanto quanto ele, com o coração disparado, tinha decidido confiar nela.

Para conversar
Théo escolheu confiar numa coruja que parecia assustadora. Você já teve que confiar em alguém ou em algo que parecia diferente do que você esperava?
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