✦✦✦✦
Era uma vez logo
Era uma vez
Histórias para a hora de dormir
A Flor Que Não Tinha Pressa
Era uma vez
A Flor Que Não Tinha Pressa
Paciência6 min · 3-6 anos (geral)
Ouvir · disponível
Assistir · em breve
Tamanho
Era uma vez…

Era uma vez uma princesa chamada Aurina que vivia num reino onde, todo ano, quando a primeira flor-de-vidro desabrochava no jardim real, começava o Festival da Primavera — com música, doces de mel, fitas coloridas e fogos brilhantes no céu da noite. Aurina amava aquele festival mais do que tudo no mundo, e desde pequena contava os dias no calendário pendurado ao lado da sua cama. Naquele ano, porém, faltavam apenas dez dias para a data marcada, e a semente mágica que a jardineira real havia plantado ainda não tinha nem brotado — só um pedaço de terra escura e lisa, sem sinal nenhum de vida. Aurina foi correndo até o jardim, com o vestido ainda amassado do sono, ansiosa, e cavou um pouquinho a terra com os dedos para espiar lá dentro. "Por que você ainda não cresceu?", perguntou à semente, baixinho, como se ela pudesse responder. Cobriu a terra de novo, regou em dobro achando que assim ajudaria, e voltou correndo para dentro do castelo, riscando mais um dia no calendário com um traço nervoso. No dia seguinte, voltou ao jardim ainda de manhã cedo e, sem paciência para esperar mais um minuto, cavou de novo, um pouco mais fundo dessa vez, para ver se alguma coisa tinha mudado por dentro da terra. Nada. Só terra escura e a semente intacta, parada, do mesmo jeitinho de antes. A jardineira real, dona Fé, encontrou a princesa ajoelhada no canteiro pela terceira vez naquela semana, as mãos sujas de terra até os pulsos, e se aproximou devagar, com seu avental cheio de bolsos de sementes. "Cada vez que você cava para olhar, machuca as raizinhas que estão tentando crescer escondidas", disse ela, gentilmente, se abaixando ao lado da princesa. "Uma semente não cresce mais rápido só porque alguém fica olhando para ela." Aurina sentiu vontade de chorar, os olhos ardendo. "Mas o festival é em nove dias! E se a flor não abrir a tempo, e todo mundo ficar esperando na praça, e não acontecer nada?" Dona Fé se sentou ao lado dela na terra fresca e respondeu, com calma: "Isso eu não sei dizer, minha princesa. O que eu sei é que, se você continuar cavando toda hora, com certeza ela não vai crescer de jeito nenhum." A princesa olhou para as próprias mãos sujas de terra, respirou fundo, sentindo o coração ainda apertado de ansiedade, e tomou uma decisão difícil: parou de cavar. Todos os dias seguintes, em vez de desenterrar a semente para checar como estava, ela apenas regava com cuidado, na medida certa, nem mais nem menos, e sentava ao lado do canteiro por um tempinho, sem mexer em mais nada — só observando de longe, esperando, respirando o cheiro de terra molhada. Era difícil. Às vezes ela sentia os dedos coçarem de vontade de cavar de novo, de espiar, de ter certeza. Mas se lembrava das palavras de dona Fé e resistia, indo brincar de outra coisa no castelo, correndo pelos corredores, ajudando na cozinha, e voltando depois só para olhar de longe, sem tocar em nada. No sétimo dia, bem cedinho, um pequeno broto verde furou a terra, fino como um fiapo. No nono dia, na véspera do festival, um botão fechado apareceu ao lado dele, ainda enrolado como um segredo bem guardado, balançando de leve com a brisa. E na manhã do próprio festival, bem na hora em que os primeiros convidados começavam a chegar ao jardim com seus instrumentos e cestas de doces, a flor-de-vidro se abriu devagar, pétala por pétala, brilhando como se fosse feita de cristal fino sob o sol da manhã. Todo o reino aplaudiu, encantado, e as crianças correram para ver de perto aquele brilho translúcido. Aurina olhou para a flor e depois para suas próprias mãos, ainda com uma marquinha de terra debaixo das unhas, lembrando de quantas vezes quase tinha estragado tudo com pressa e ansiedade. Sentou-se ao lado de dona Fé para assistir ao festival começar, sentindo que aquela flor era, de alguma forma, também um pouco dela — não por ter feito crescer mais rápido, mas por finalmente ter aprendido, dia após dia, a esperar.

Para conversar
Aurina queria que a flor crescesse rápido, mas precisou esperar. Existe alguma coisa que você está esperando acontecer? Como é essa espera?
Esta história também fala deConfiançaAutocontrole
Era uma vez… Terminamos!
Avaliar e ver a próxima