
Era uma vez, numa noite de vento forte no mar da Galileia, um barco pequeno de madeira. Dentro dele estavam os discípulos, os amigos de Jesus. Eles remavam com força, e as ondas ficavam cada vez mais altas. Jesus não estava no barco. Naquele dia, ele tinha ensinado muita gente e dado pão e peixe para uma multidão. Depois subiu a um monte para orar sozinho e pediu aos amigos que fossem na frente, para o outro lado do lago. A noite foi ficando escura. O vento foi ficando forte. O barco balançava para lá e para cá, e a água batia por cima da borda e molhava os pés de todo mundo. Pedro era pescador e já tinha visto muitas tempestades. Ele remava ao lado dos outros, sem parar, tentando deixar o barco longe das ondas maiores. Foi então que eles viram uma coisa lá longe, no meio do escuro e da espuma branca. Alguém vinha andando por cima da água, como se o mar fosse um caminho de terra. Os discípulos levaram um susto enorme e se encolheram no fundo do barco. — É um fantasma! — gritou um deles, agarrado no braço do amigo. Mas uma voz conhecida veio no meio do vento: — Coragem! Sou eu. Não tenham medo. Era Jesus. Ele andava tranquilo por cima das mesmas ondas que estavam sacudindo o barco. O coração de Pedro batia depressa. Mesmo assim, ele gritou: — Senhor, se é o Senhor mesmo, manda que eu vá até aí, andando sobre a água! — Vem — disse Jesus. Pedro não esperou mais nada. Passou uma perna para fora do barco. Depois a outra. Seus pés tocaram a água escura e agitada. E a água segurou. Pedro ficou de pé. Deu um passo. Depois outro. Estava andando sobre o mar, na direção de Jesus, com o vento batendo no rosto! Dentro do barco, os outros discípulos olhavam de boca aberta, quase sem respirar. Mas, no meio do caminho, Pedro olhou para os lados. Viu as ondas, altas como muros. Ouviu o vento, que não parava de soprar. Viu que Jesus ainda estava um pouco longe. E o medo voltou. Na mesma hora, seus pés começaram a afundar na água fria. — Senhor, me salva! — gritou Pedro, com a água já na cintura, batendo os braços. Jesus estendeu a mão depressa e segurou Pedro com firmeza. Puxou o amigo para cima, e Pedro ficou de pé outra vez. — Por que você duvidou? — perguntou Jesus, com a voz calma. Pedro não soube o que responder. Os dois foram andando juntos até o barco, e Pedro não soltou a mão de Jesus nem um pouquinho. Quando subiram no barco, o vento parou. Parou de uma vez. O mar ficou liso e quieto, como um lençol esticado. Os discípulos ainda tremiam, de frio e de espanto. Eles se ajoelharam diante de Jesus e disseram: — O Senhor é mesmo o Filho de Deus! Pedro se sentou no fundo do barco, molhado da cabeça aos pés. Olhou para as próprias mãos e para os próprios pés. Ele tinha andado sobre a água! Tinha andado enquanto olhava para Jesus. E tinha afundado quando olhou para as ondas. O barco seguiu devagar pelo lago calmo. Lá em cima, as nuvens foram se abrindo, e as estrelas apareceram uma por uma. Pedro ficou olhando para Jesus, sentado ali pertinho, e seu coração foi batendo cada vez mais devagar. Depois daquela noite, Pedro ainda pescou muitas vezes naquele lago. Às vezes o vento soprava forte e as ondas cresciam. Então ele se lembrava dos passos que deu sobre a água. E se lembrava, mais ainda, da mão que o segurou.