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Histórias para a hora de dormir
Beto, Tina e as Duas Pipas
Era uma vez
Beto, Tina e as Duas Pipas
Humildade7 min · 3-6 anos (geral)
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Era uma vez…

Era uma vez um menino chamado Beto que era o rei das pipas da rua dele. Pelo menos era isso que ele achava. Beto tinha seis anos e uma pipa vermelha com rabiola comprida, feita com o pai. Todo sábado, ele subia no morrinho do parque, corria contra o vento e — zum! — a pipa subia lá no alto, mais alto que a de todo mundo. "Ninguém solta pipa como eu", ele dizia para quem passasse. Os amigos concordavam. Era verdade: a pipa do Beto quase sempre subia mais. Num sábado, chegou uma menina nova na rua. Chamava-se Tina, era um pouco menor que Beto e usava óculos redondos. Ela trazia uma pipa diferente, toda azul, comprida, quase com formato de peixe — e sem rabiola nenhuma. Beto riu. "Essa pipa aí não vai subir. Pipa sem rabiola fica rodando e cai." Tina deu de ombros. "Foi minha avó que me ensinou a fazer assim." Naquele dia, o vento estava esquisito. Soprava forte, depois parava, depois virava de lado. Beto correu, e a pipa vermelha subiu um pouco... e caiu de bico no chão. Ele tentou de novo. Subiu, rodopiou, caiu. De novo. E de novo. Na quinta vez, a rabiola enroscou num galho baixo, e Beto teve que ficar na pontinha do pé para soltar. Enquanto isso, do outro lado do morro, a pipa azul de Tina subia devagar, firme, balançando de leve, como um peixe nadando no céu. Os amigos do Beto pararam de olhar para ele. Estavam olhando para cima, para a pipa azul. Beto sentiu o rosto esquentar. Enrolou a linha com força e sentou na grama, emburrado. "É sorte", resmungou. "Só isso." Ele ficou ali um tempão, de braços cruzados, vendo a pipa azul lá em cima. E foi olhando, olhando, que reparou numa coisa: Tina não corria. Ela ficava parada, sentindo o vento no rosto, e só puxava a linha quando o vento enfraquecia. Bem de levinho. Bem na hora certa. Beto nunca tinha feito daquele jeito. Ele sempre corria. A pipa vermelha estava no colo dele. A vontade de ir embora para casa era grande. Mas a vontade de ver a pipa dele lá em cima era maior. Beto se levantou. Andou até Tina, bem devagar, com as mãos nos bolsos. Ficou um tempinho do lado dela sem dizer nada. Depois falou, olhando para o chão: "Tina... como você sabe a hora de puxar?" Tina olhou para ele, surpresa. Depois sorriu. "Quer que eu te mostre?" Ela entregou a linha da pipa azul para Beto segurar. "Fecha os olhos um pouquinho. Sente o vento na bochecha. Quando ele ficar fraquinho, você puxa. Só um pouco." Beto fechou os olhos. O vento soprou forte... depois parou. "Agora!", disse Tina. Beto puxou. E sentiu, pela linha, a pipa subindo de novo, como se ela tivesse respondido. Ele abriu os olhos rindo. "Funcionou!" Depois, Tina ajudou Beto a encurtar um pouco a rabiola da pipa vermelha, porque, com aquele vento esquisito, rabiola comprida demais pesava. Beto voltou para o morrinho e, dessa vez, não saiu correndo. Esperou o vento, soltou a linha devagar e puxou na hora certa. E a pipa vermelha subiu. Lá em cima, ficaram as duas lado a lado: a vermelha e a azul, balançando juntas no céu da tarde. Um dos amigos gritou: "Beto, você é o melhor de todos!" Beto olhou para Tina, depois para os amigos. "Hoje quem me ensinou foi ela", disse ele. "A Tina sabe um jeito que eu não sabia." Tina ficou vermelha de alegria. No sábado seguinte, quando Beto chegou ao parque, já havia três crianças em volta de Tina, pedindo para aprender a fazer pipa-peixe. Beto sentou junto. Ele também queria aprender. E, no fim da tarde, quando o sol foi descendo e as primeiras estrelas apareceram, Beto e Tina enrolaram as linhas e voltaram para casa juntos, combinando qual pipa iam inventar na semana seguinte.

Para conversar
Por que será que foi difícil para o Beto ir até a Tina e perguntar? Você já precisou aprender algo com alguém que você achava que sabia menos?
Esta história também fala deRespeitoGratidão
Era uma vez… Terminamos!
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