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Histórias para a hora de dormir
O Quartinho no Alto da Casa
Era uma vez
O Quartinho no Alto da Casa
Generosidade7 min · 3-6 anos (geral)
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Era uma vez…

Era uma vez, numa cidadezinha chamada Suném, uma mulher que morava com o marido numa casa de pedra clara, cercada por campos de trigo. Da janela da cozinha, ela via a estrada de terra que passava bem em frente, sempre cheia de gente indo e vindo. Um dia, ela reparou num homem que caminhava devagar pela estrada. A capa dele estava coberta de poeira, os pés pareciam cansados, mas os olhos eram tranquilos. Era Eliseu, o profeta de Deus, que andava de cidade em cidade levando a palavra do Senhor para o povo. A mulher olhou para a panela no fogo. Tinha sopa de lentilha, pão quentinho e um pouco de azeite. Era o jantar da família. Ela pensou um pouquinho, enxugou as mãos no avental e foi até o portão. — Senhor, entre e coma alguma coisa! A estrada é longa e o sol está forte. Eliseu sorriu, agradeceu e entrou. Comeu a sopa bem devagar, molhando o pão no caldo, e conversou com a família sobre as coisas de Deus. Quando ele foi embora, a casa parecia mais cheia de luz. Daquele dia em diante, sempre que Eliseu passava por Suném, a mulher o chamava para comer. Às vezes tinha sopa, às vezes tinha figos, às vezes era só pão com mel. Mas a mesa sempre guardava um lugar para ele. Numa noite, depois que o profeta seguiu viagem, a mulher ficou olhando para a estrada escura. — Marido — disse ela —, esse homem é um homem santo de Deus. Ele passa por aqui tantas vezes... E depois, onde ele dorme? No chão duro? Na beira do caminho? O marido coçou a barba. — E o que você está pensando? — Vamos fazer um quartinho para ele, lá no alto, em cima da nossa casa. Com uma cama, uma mesa, uma cadeira e uma lamparina. Assim, quando ele vier, terá onde descansar. O marido arregalou os olhos. Fazer um quarto dava muito trabalho. Precisava de pedras, de barro, de madeira e de muitos dias de suor. Mas ele olhou para o rosto da esposa, viu como ela estava decidida, e sorriu. — Então vamos começar amanhã cedo. E começaram. O marido carregava as pedras, uma por uma, e subia a escada devagar. A mulher misturava o barro com água e palha, com as mãos sujas até os cotovelos. Os vizinhos passavam e perguntavam: — Vão alugar esse quarto? Vão guardar trigo lá em cima? — Não — respondia a mulher. — É para quem precisa descansar. Os dias foram passando. As paredes subiram. O telhado ficou pronto. O marido fez uma cama de madeira, uma mesinha e uma cadeira firme. A mulher colocou na cama o cobertor de lã mais macio da casa, aquele que ela mesma tinha tecido no inverno. Faltava só a lamparina. Na casa havia duas. Uma era velha, de barro rachado, que fazia uma luz fraquinha e soltava fumaça. A outra era nova, pintada com flores azuis, e iluminava a cozinha inteira. Era a lamparina preferida da mulher. Ela gostava de olhar para aquela luz bonita enquanto preparava o pão, toda noite. A mulher segurou a lamparina nova nas mãos. Olhou para ela por um tempo. Depois subiu a escada, colocou a lamparina pintada em cima da mesinha do quartinho e acendeu o pavio. A luz dourada encheu o cômodo todo. Na cozinha, naquela noite, ela cozinhou com a lamparina velha, que piscava e fumaçava. E cantarolou baixinho o tempo todo. Alguns dias depois, Eliseu chegou com seu ajudante, Geazi. A mulher levou os dois até a escada. — Suba, senhor. Esse quarto é seu, sempre que passar por aqui. Eliseu subiu, viu a cama arrumada, a mesinha, a cadeira e a lamparina de flores azuis brilhando. Ficou parado na porta, em silêncio, com os olhos úmidos. Mais tarde, ele chamou a mulher. — Você cuidou de nós com tanto carinho. O que posso fazer por você? Quer que eu fale com o rei a seu favor? — Não preciso de nada, senhor — respondeu ela. — Moro aqui, no meio do meu povo, e tenho o que preciso. Quando ela desceu, Geazi falou baixinho: — Ela não tem filhos. E o marido dela já é velho. Eliseu pediu que chamassem a mulher de novo. Ela parou na porta do quartinho, e o profeta disse: — No ano que vem, nesta mesma época, você vai abraçar um filho. A mulher levou as mãos ao rosto. Quase não conseguia acreditar. Mas Deus cumpriu a promessa. No ano seguinte, na mesma estação do trigo dourado, nasceu um menininho naquela casa de pedra clara. E, nas noites tranquilas de Suném, a mulher embalava o bebê no colo, olhando pela janela. Lá no alto, a luzinha do quartinho esperava acesa pelo próximo viajante cansado. E a casa inteira dormia em paz.

Para conversar
A mulher deu a lamparina mais bonita para o quartinho e ficou com a velha. Se você fosse arrumar um cantinho para receber uma visita, o que colocaria lá?
Esta história também fala deHospitalidadeGratidão
Era uma vez… Terminamos!
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