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Histórias para a hora de dormir
Broto e o Girassol Sem Pressa
Era uma vez
Broto e o Girassol Sem Pressa
Paciência7 min · 3-6 anos (geral)
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Era uma vez…

Era uma vez, num bairro cheio de casas coloridas, um menino chamado Tito que tinha um segredo verde. Quando ele encostava a mão na terra e fechava os olhos, as plantas cresciam num piscar. Uma semente virava brotinho. Um brotinho virava árvore. Por isso, quando Tito vestia sua capa cor de folha, todo mundo o chamava de Broto, o super-herói das plantas. Broto já tinha feito muita coisa boa. Fez crescer uma árvore para dar sombra no ponto de ônibus. Fez florir o jardim da escola num dia de festa. Fez nascer capim fresquinho para as cabras do sítio do Seu Lauro. Um dia, apareceu um cartaz na pracinha: Concurso do Girassol Mais Bonito! Dali a um mês, todas as crianças do bairro iam mostrar seus girassóis. Dona Cida, a jardineira da praça, distribuiu uma semente listrada para cada criança. — Plantem com carinho — disse ela, ajeitando o chapéu de palha. — Água todo dia, sol na medida e um pouquinho de espera. Broto riu por dentro. Espera? Ele não precisava disso. Era só encostar a mão. Correu para casa, plantou a semente num vaso, encostou a mão na terra e... vupt! Em um segundo, o girassol subiu, subiu e abriu uma flor enorme, amarela, maior que a cabeça dele. — Pronto! — comemorou Broto. Mas, no dia seguinte, a flor estava caída para o lado. O caule era fino, fino como um barbante. Broto fez crescer de novo, ainda mais rápido. A flor abriu bonita, mas à tarde já estava murcha, com as pétalas penduradas. Ele tentou uma terceira vez. Veio um ventinho leve e o girassol tombou no chão da varanda. Broto ficou olhando para a flor caída, com o queixo tremendo. Pela primeira vez, seu poder não estava dando certo. Foi correndo até a praça. Dona Cida estava regando os canteiros. — Dona Cida, meu girassol não fica em pé! Eu faço ele crescer, mas ele cai! A jardineira não respondeu nada. Mostrou um girassol do canteiro dela, um que tinha crescido devagar, dia após dia, e pediu: — Tente dobrar esse caule. Broto empurrou. O caule era grosso, firme, cheio de pelinhos. Não dobrava nem um pouquinho. Broto olhou para o caule firme. Depois olhou para as próprias mãos. E ficou pensando o caminho todo de volta para casa. Naquela noite, pediu outra semente para Dona Cida e plantou no vaso. Encostou a mão na terra... e tirou. Só regou. Os dias seguintes foram os mais difíceis da vida de herói de Broto. De manhã, ele olhava o vaso: nada. À tarde: nada. Depois de três dias, apareceu um brotinho do tamanho de uma unha. As mãos de Broto coçavam de vontade de ajudar. Mas ele só regava, virava o vaso para o sol e esperava. O brotinho virou uma plantinha. A plantinha ganhou folhas. Cada folha nova era uma festa para Broto, que chamava a família inteira para ver. Uma noite, caiu uma chuva forte com vento. Broto acordou com o barulho, pegou a capa e correu para a varanda coberta. Não usou poder nenhum. Ficou ali, segurando o vaso firme e abrindo a capa como um guarda-chuva por cima da plantinha, até a chuva passar. Chegou o dia do concurso. Na praça, as crianças traziam seus vasos. Alguns girassóis eram altos. Outros eram médios. O girassol de Broto era pequeno, com um botão ainda meio fechado. O amigo dele, Davi, cochichou: — Por que você não faz ele crescer rapidinho? Ninguém vai saber. Broto olhou para o botão. Era só encostar a mão. Um segundinho e ele teria a maior flor da praça. Ele chegou a esticar os dedos. Depois, guardou a mão no bolso da capa. — Não. Ele está crescendo no tempo dele. O prêmio foi para a Júlia, que tinha o girassol mais alto. Broto bateu palmas para ela. E, quando todo mundo começou a ir embora, aconteceu uma coisa: o botão do girassol de Broto se abriu devagarinho, ali mesmo, sob o sol da tarde. E uma abelha gorducha pousou bem no meio dele. Dona Cida se agachou ao lado do vaso. — Olhe só. Quem chegou primeiro foi ela. Naquela noite, o girassol ficou na janela do quarto de Broto, firme, de cabeça erguida para a lua. E Broto dormiu sorrindo, com a mão quietinha debaixo do travesseiro.

Para conversar
Broto podia ter feito a flor crescer num segundo, mas guardou a mão no bolso. O que você acha que ele sentiu enquanto esperava o botão abrir?
Esta história também fala deHumildadeCuidado
Era uma vez… Terminamos!
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