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Histórias para a hora de dormir
Pepe e a Vila dos Sininhos
Era uma vez
Pepe e a Vila dos Sininhos
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Era uma vez…

Era uma vez um menino chamado Pepe que viajava pelo mundo com o avô Bento, um velho fazedor de mapas. O avô carregava nas costas uma mochila cheia de rolos de papel, réguas, bússolas e lápis de todas as cores. Pepe carregava uma sacola menor, com um caderninho onde desenhava tudo o que via: rios, pontes, montanhas e bichos esquisitos. Um dia, depois de subir uma estrada cheia de curvas, os dois chegaram a um vale escondido entre montanhas. Lá embaixo havia uma vila de casinhas de pedra, com telhados vermelhos e fumacinha saindo das chaminés. E de todo lado vinha um som delicado: plim, plim, plim. — Bem-vindos à Vila dos Sininhos — disse uma senhora de cabelos brancos, que esperava na entrada. Ela se chamava Dona Olinda. — Aqui temos um costume. Na porta de cada casa há um sininho. Quem chega toca o sininho e espera. Só entra quando alguém de dentro diz: pode entrar. Pepe achou aquilo engraçado. Na cidade dele, ninguém fazia isso. Bastava bater e ir entrando. À tarde, Pepe saiu para explorar. Viu uma casinha com a porta entreaberta e um gato malhado lá dentro, enroladinho num tapete. Queria tanto fazer carinho no gato que nem pensou no sininho. Empurrou a porta e entrou. Lá dentro, um bebê dormia num berço perto da janela. Com o rangido da porta, o bebê acordou e começou a chorar alto. A mãe dele veio correndo da cozinha, com as mãos sujas de farinha, e o gato fugiu pela janela. Pepe ficou vermelho como os telhados. — Desculpa... eu só queria ver o gato. A mãe pegou o bebê no colo e balançou devagar. — O sininho serve para isso — disse ela, com calma. — Para a casa saber que alguém vem chegando. Assim ninguém se assusta. Pepe saiu de cabeça baixa. Naquela noite, contou tudo para o avô. O avô não deu bronca. Só fez um carinho no cabelo dele e disse: — Amanhã é outro dia, Pepe. No dia seguinte, Dona Olinda contou que, no alto da torre da vila, ficava o Mapa Antigo, um mapa enorme que mostrava todos os caminhos secretos das montanhas. Era o mapa mais bonito da região. O avô Bento tinha viajado até ali só para vê-lo. Mas Dona Olinda, que cuidava da torre, precisava ir ao mercado primeiro. O avô ficou conversando com os moradores na praça, e Pepe, cheio de curiosidade, subiu a escadinha de pedra até a torre. Lá em cima, encontrou a porta da torre aberta. Pela fresta, dava para ver o mapa, pendurado na parede, cheio de rios azuis, florestas verdes e uma rosa dos ventos dourada. Pepe sentiu o coração bater forte. Era só dar três passos e ele estaria lá dentro, bem pertinho. Pepe olhou para o mapa. Depois olhou para o lado da porta. Lá estava o sininho, pequeno e brilhante. Ele tocou: plim, plim. Ninguém respondeu. Pepe sentou no degrau e esperou. Uma nuvem cobriu o sol. Um passarinho pousou no muro e foi embora. Ele desenhou o passarinho no caderninho. Desenhou a porta. Desenhou o sininho. O mapa continuava ali, tão perto. Pepe esperou mais. Depois de um tempão, ouviu passos na escada. Era Dona Olinda, com uma cesta de pão debaixo do braço. Ela parou quando viu o menino sentado no degrau. — Você está aí faz tempo? — Toquei o sininho — explicou Pepe. — Mas ninguém disse pode entrar. Dona Olinda olhou para a porta aberta, depois olhou para Pepe. Os olhos dela ficaram brilhantes. — Pois agora eu digo. Pode entrar. Ela mostrou o mapa todinho para Pepe e para o avô, que chegou logo depois, apontando cada caminho, cada ponte e cada cachoeira. Contou histórias de viajantes antigos. E, no final, fez uma coisa que nunca tinha feito: pegou uma pena, molhou na tinta e escreveu, num cantinho do mapa, perto da torre, um nome bem pequenininho: Pepe. Na volta para a pousada, Pepe passou pela casinha do gato malhado. Tocou o sininho, esperou, e quando a mãe abriu a porta, entregou a ela um desenho do bebê dormindo, feito no caderninho. À noite, a vila inteira tilintava baixinho com o vento. Antes de dormir, Pepe abriu o caderninho e desenhou um sininho na primeira página. E dormiu ouvindo a música da Vila dos Sininhos: plim, plim, plim.

Para conversar
Na Vila dos Sininhos, quem chega toca e espera. Na sua casa, como as pessoas avisam que estão chegando? E você, gosta de ser avisado antes?
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Era uma vez… Terminamos!
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