Simeão e a Longa Espera no Templo
Era uma vez
Simeão e a Longa Espera no Templo
Paciência7 min · 3-6 anos (geral)
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Era uma vez…

Era uma vez, na grande cidade de Jerusalém, um homem bem velhinho chamado Simeão. Ele tinha a barba branca como algodão, as mãos enrugadas como a casca de uma árvore antiga e uns olhos mansos, que sorriam antes da boca. Simeão amava a Deus de todo o coração. E Deus tinha feito a ele uma promessa muito especial, sussurrada bem dentro do peito pelo Espírito Santo: antes de terminar a sua vida, Simeão ia ver, com os próprios olhos, o Salvador que Deus tinha prometido ao seu povo. Só que a promessa não dizia quando. Então Simeão esperava. De manhã, ele acordava, lavava o rosto na bacia de barro e olhava pela janela. — Será hoje? — perguntava baixinho. Depois caminhava devagar pelas ruas de pedra, ouvindo os vendedores de figos e o barulho das cabras, até chegar ao templo, aquele prédio enorme, de pedras claras, que brilhava quando o sol batia. Os dias viraram semanas. As semanas viraram meses. Os meses viraram anos. A barba de Simeão ficou ainda mais branca, e as pernas dele ficaram mais lentas. Os meninos que brincavam perto do templo já conheciam aquele velhinho. — Vovô Simeão, o Salvador ainda não chegou? — perguntava um menino de sandálias gastas. — Ainda não — respondia Simeão, sorrindo. — Mas Deus nunca esquece uma promessa. Alguns adultos balançavam a cabeça. — Esse velhinho espera há tanto tempo... — cochichavam. — Talvez tenha entendido errado. Teve um dia em que Simeão acordou cansado. Chovia lá fora, o vento assobiava na janela, e os joelhos dele doíam. Ele se sentou na beira da cama e suspirou. — Senhor, já esperei tanto... — disse. Por um instante, pensou em ficar em casa, debaixo do cobertor. Mas então ele lembrou de todas as manhãs em que Deus tinha cuidado dele. Do pão que nunca faltou. Dos amigos que apareciam na hora certa. Simeão respirou fundo, pegou o cajado e saiu na chuva fininha. Naquele dia, nada de diferente aconteceu no templo. E Simeão voltou para casa em paz, cantarolando um salmo, porque esperar com Deus também era estar com Deus. Enquanto esperava, Simeão não ficava parado. Ele ajudava os viajantes a achar o caminho. Dava migalhas de pão para os pardais do pátio. Contava histórias antigas para as crianças: de Abraão olhando as estrelas, de Moisés atravessando o mar. E cada história terminava do mesmo jeito: — Deus cumpre o que promete. Às vezes demora. Mas cumpre. Até que, numa manhã clara, aconteceu uma coisa diferente. Simeão sentiu, lá dentro do coração, um empurrãozinho suave do Espírito Santo, como um vento morno dizendo: vai ao templo. Agora. Simeão foi. Mais depressa do que conseguia, apoiado no cajado, toc, toc, toc pelas pedras. No pátio havia muita gente. Mas os olhos de Simeão pararam num casal simples. O homem, José, carregava uma gaiolinha com duas pombinhas, a oferta das famílias que não tinham muito dinheiro. A moça, Maria, levava no colo um bebezinho enrolado em panos. O nome do bebê era Jesus. Ele tinha só quarenta dias de vida. O coração de Simeão bateu forte. Ele sabia. Depois de tantos anos, ele sabia. Simeão se aproximou devagar e estendeu os braços tremidos. Maria olhou para aquele velhinho de olhos brilhando e, com cuidado, colocou o bebê no colo dele. Simeão segurou Jesus como quem segura o maior tesouro do mundo. O bebê bocejou e apertou o dedo dele com a mãozinha. E Simeão, com lágrimas de alegria descendo pela barba branca, levantou os olhos para o céu e louvou a Deus: — Agora, Senhor, posso descansar em paz, porque os meus olhos viram a salvação que preparaste para todos os povos. Uma luz para todas as nações! Maria e José ficaram admirados com aquelas palavras. Simeão abençoou os dois. E logo chegou também Ana, uma profetisa bem velhinha que vivia no templo orando. Ela também agradeceu a Deus e começou a contar a todo mundo que o Salvador tinha chegado. Naquela noite, Simeão voltou para casa devagar, como sempre. Mas agora ele não perguntou pela janela: será hoje? Ele só olhou as estrelas aparecendo, uma por uma, e sorriu. Tinha valido a pena esperar cada dia. E o menino das sandálias gastas, que o viu passar, nunca mais esqueceu aquele sorriso.

Para conversar
Simeão esperou muitos anos sem saber quando a promessa ia acontecer. O que você acha que ajudava ele a continuar esperando com alegria?
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