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Histórias para a hora de dormir
Tatá e a Garça do Brejo
Era uma vez
Tatá e a Garça do Brejo
Gratidão7 min · 3-6 anos (geral)
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Era uma vez…

Era uma vez, no Pantanal, onde o céu é tão grande que parece não ter fim, uma capivara filhote chamada Tatá. Ela tinha o pelo marrom cor de doce de leite, um focinho redondo e umas orelhinhas pequenas que mexiam toda vez que ouviam um barulho novo. Tatá vivia com a mãe, a tia e um montão de primos numa beira de lagoa. Lá, as capivaras passavam o dia comendo capim, cochilando no sol e mergulhando na água fresquinha quando ficava quente demais. Era o tempo da seca. A lagoa tinha encolhido, e o capim em volta tinha ficado alto e amarelado, mais alto que a própria Tatá. Uma tarde, uma borboleta azul passou bem na frente do focinho dela. Que linda! E Tatá foi atrás. A borboleta subia, descia, entrava no capim. Tatá pulava, corria, entrava no capim também. Quando a borboleta sumiu no céu, Tatá olhou em volta... e só viu capim. Capim pra cá. Capim pra lá. Nada de lagoa. Nada de mamãe. O coração dela começou a bater depressa. — Mamãe? — chamou, com a vozinha fina que as capivaras filhotes têm, um assobio parecido com um piado. Lá de cima, alguém ouviu. Era Dona Alva, uma garça branca de pernas compridas e pescoço que dobrava feito um S. Ela desceu planando e pousou num cupinzeiro. — Perdida, pequena? — perguntou com calma. — Eu vejo tudo lá do alto. Sua lagoa fica para lá, perto da árvore torta. Vem atrás de mim. Dona Alva voou baixinho, devagar, parando de galho em galho para Tatá conseguir acompanhar. Até que o capim abriu, e lá estava a lagoa, e lá estava a mamãe capivara, procurando com o focinho levantado. Tatá correu tão rápido que tropeçou nas próprias patas e caiu encostadinha na mãe. As duas se tocaram focinho com focinho, e os primos fizeram uma festa de assobios. No meio de tanta alegria, Tatá nem olhou para trás. Quando lembrou, Dona Alva já tinha ido embora, um pontinho branco no céu. Naquela noite, Tatá não conseguia dormir direito. Alguma coisa estava faltando, como quando a gente come o pão e esquece de beber a água. — Mamãe — disse ela —, eu não agradeci a garça. — Então amanhã a gente vai lá — respondeu a mãe, encostando nela. No dia seguinte, Tatá e a mãe seguiram até o brejo onde as garças pescavam. Mas lá estava tudo diferente. A água estava coberta de aguapés, aquelas plantas de folhas redondinhas e flores roxas que boiam e se espalham, se espalham, até não sobrar nem um buraquinho de água aparecendo. Dona Alva estava parada na beira, com o bico pronto, mas não conseguia ver nenhum peixe. — Os aguapés cresceram demais — disse ela, meio desanimada. — Os peixinhos estão aí embaixo, mas eu não consigo enxergar. Tatá olhou para os aguapés. Olhou de novo. E sentiu a barriga roncar. Aguapé era uma das comidas preferidas das capivaras! Ela entrou na água rasinha, pertinho da mãe, e começou a mastigar. Nhac, nhac, nhac. Uma folha, outra folha. Mas o brejo era grande e Tatá era pequena. Depois de um tempão, só tinha aberto uma rodinha do tamanho dela. Tatá ficou cansada, com a barriga cheia. Pensou em desistir. Então teve uma ideia. Voltou com a mãe para a lagoa e chamou: — Primos! Tia! Tem um brejo inteiro de aguapé fresquinho lá adiante! E lá foram as capivaras, uma fila marrom e gorducha, para dentro do brejo. Nhac, nhac, nhac. Mastigavam e abriam caminho, mastigavam e abriam caminho. Aos pouquinhos, a água foi aparecendo, brilhando de sol. E lá embaixo, os peixinhos prateados nadavam de um lado para o outro. Dona Alva esticou o pescoço e, zás, pegou um peixinho com o bico. Depois outro. E outro. Ela olhou para Tatá com os olhos amarelos cheios de surpresa. — Foi você que trouxe sua família? Tatá ficou um pouco envergonhada, mexendo as orelhinhas. — É que ontem você me ajudou a voltar para casa. E eu esqueci de dizer obrigada. Então... obrigada. Dona Alva riu um riso de garça, que parece um estalinho. Depois fez uma coisa que Tatá não esperava: deu um pulinho e pousou bem nas costas dela, como as garças fazem com as capivaras amigas. Quando o sol foi descendo e o céu do Pantanal ficou laranja e rosa, Tatá voltou para casa devagarinho, com uma garça branca de carona nas costas. As estrelas foram aparecendo uma a uma. E naquela noite, Tatá dormiu num instante, sem nada faltando.

Para conversar
Tatá agradeceu a Dona Alva com uma palavra e também com uma ajuda. Qual dos dois jeitos você acha que deixou a garça mais feliz? Por quê?
Esta história também fala deGenerosidadeResponsabilidade
Era uma vez… Terminamos!
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