Íris e os Cisnes Famintos
Era uma vez
Íris e os Cisnes Famintos
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Era uma vez…

Era uma vez, num reino de colinas verdes e telhados vermelhos, uma princesa chamada Íris. Ela tinha sete anos, uma coroa pequena que vivia torta na cabeça e uma tarefa muito importante: todo fim de tarde, ela levava um cesto de grãos e folhas de alface para os cisnes do lago do castelo. Eram cinco cisnes brancos, de pescoço comprido e penas que pareciam nuvem. Íris sabia o nome de todos: Neve, Algodão, Pérola, Lua e o menorzinho, Plumo, que sempre chegava por último, nadando torto. O rei, pai dela, tinha dito no dia em que deu a tarefa: — Os cisnes contam com você, Íris. — E ela se sentiu grande como uma torre. Mas numa tarde de sol, as primas de Íris vieram visitar o castelo. Elas trouxeram um jogo novo de bolinhas de vidro, e as risadas ecoavam pelos corredores. Íris jogou, ganhou, perdeu, jogou de novo... e quando a lua apareceu na janela, ela pulou da cadeira. O cesto! Os cisnes! Já estava escuro. Amanhã eu dou o dobro, pensou Íris. E foi dormir, com uma pontinha de aperto no peito. Na manhã seguinte, um grito atravessou o castelo inteiro. Era a rainha, lá no jardim. — Minhas tulipas! Minhas tulipas vermelhas! Todo mundo correu para ver. O canteiro mais bonito do reino estava todo mordiscado, com folhinhas espalhadas pela grama. E no meio do canteiro, satisfeitíssimos, estavam os cinco cisnes, mastigando a última tulipa. Plumo tinha uma pétala vermelha pendurada no bico. O mordomo real, um homem alto de bigode fino, cruzou os braços. — Alguém deixou o portãozinho do lago aberto — disse. — E quem cuida do portão é o filho do jardineiro. — Ele apontou para Bento, um menino magrinho de chapéu de palha, que segurava um regador. Bento ficou vermelho como as tulipas. — Eu fechei o portão, senhor! Eu sempre fecho! — Cisnes não abrem portões sozinhos — respondeu o mordomo. — Você vai ficar sem ir à festa da colheita, para aprender. Íris sentiu o estômago dar um nó. Ela sabia uma coisa que ninguém mais sabia. O portãozinho tinha uma fresta embaixo, por onde um cisne com muita fome conseguia passar se espremendo. E os cisnes estavam com muita fome... porque ninguém tinha dado comida a eles na tarde anterior. Ela olhou para o rei. Olhou para a rainha, triste diante do canteiro. Olhou para Bento, que segurava o chapéu com as duas mãos, quase chorando. Se ficasse quieta, ninguém ia descobrir. Mas a festa da colheita era a coisa que Bento mais esperava no ano inteiro; ele mesmo tinha contado para ela. Íris respirou fundo. A coroa estava torta, e ela nem arrumou. Deu um passo à frente. — Não foi o Bento — disse, com a voz tremendo. — Fui eu. Eu esqueci de dar comida aos cisnes ontem. Fiquei brincando e esqueci. Eles ficaram com fome e passaram pela fresta do portão. O jardim inteiro ficou em silêncio. Até os cisnes pararam de mastigar. O rei se abaixou até ficar da altura dela. Íris esperava uma bronca. Mas o rei olhou bem nos olhos dela e disse, devagar: — Obrigado por me contar a verdade, filha. Isso foi mais difícil do que dar comida aos cisnes, não foi? Íris fez que sim com a cabeça. Uma lágrima escorreu, mas ela se sentiu mais leve, como se tivesse tirado uma pedra do bolso. Então ela foi até Bento. — Desculpa. Você não fez nada de errado. Bento sorriu, um sorriso cheio de alívio. O mordomo pigarreou e disse que Bento iria à festa, sim, e que o portãozinho ganharia uma tábua nova embaixo. Naquela tarde, Íris e Bento plantaram juntos novas mudas de tulipa no canteiro da rainha, com as mãos cheias de terra. E quando o sol começou a se pôr, Íris foi até o lago com o cesto cheio, bem na hora certa. Os cisnes vieram nadando: Neve, Algodão, Pérola, Lua... e por último, torto como sempre, Plumo. Ele pegou uma folha de alface da mão dela e, antes de ir embora, encostou a cabeça no braço de Íris, como quem diz: tudo bem.

Para conversar
Íris podia ter ficado quieta, e ninguém ia descobrir. O que você acha que ela sentiu antes de contar a verdade? E depois?
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Era uma vez… Terminamos!
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