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Histórias para a hora de dormir
Juca e a Casinha de Barro
Era uma vez
Juca e a Casinha de Barro
Resiliência6 min · 3-6 anos (geral)
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Era uma vez…

Era uma vez, num pasto cheio de cupinzeiros e ipês, um joão-de-barro jovem chamado Juca. Era a primeira primavera em que ele ia construir a própria casa. Juca tinha visto o pai e a mãe fazendo o ninho deles, bolinha por bolinha de barro, e achava aquilo a coisa mais bonita do mundo. — Este ano é a minha vez — ele cantou, todo animado, batendo as asas. Juca escolheu um galho fininho, bem na ponta de uma goiabeira, porque de lá dava para ver o pôr do sol inteirinho. Voou até a beira do riacho, pegou um bocadinho de barro no bico e voltou. E voou de novo. E de novo. Cem vezes. Duzentas vezes. Depois de muitos dias, a casinha estava quase pronta, redondinha como um forno. Mas numa tarde o céu ficou cinza. Um vento forte balançou a goiabeira de um lado para o outro, e veio uma chuva grossa, daquelas que fazem barulho no telhado. O galho fininho envergou. A casinha de Juca rachou ao meio, e metade caiu no chão, desmanchando na lama. Quando a chuva passou, Juca desceu e olhou os pedaços de barro espalhados na grama. Ficou um tempão quieto, com as penas murchas. Clarinha, uma joão-de-barro que morava no ipê do lado, pousou perto dele. Não disse nada. Só ficou ali, fazendo companhia, até o sol aparecer de novo. No dia seguinte, Juca voltou a trabalhar. Voou até o riacho, pegou barro, voltou para o mesmo galho fininho e começou tudo de novo, bem depressa, para recuperar o tempo perdido. Mas, três dias depois, veio outra chuva. O galho envergou outra vez. E a casinha caiu outra vez. Dessa vez, Juca não ficou só triste. Ficou pensativo. Pousou num cupinzeiro e olhou bem para os ninhos que tinham ficado de pé. O do pai estava num galho grosso, perto do tronco. O de Clarinha também. E ele reparou numa coisa que nunca tinha notado: nos ninhos que aguentavam a chuva, o barro tinha fiozinhos de capim misturados, como uma trança escondida dentro da parede. — Como você sabia disso? — perguntou Juca para Clarinha. — Minha casa caiu duas vezes no ano passado — ela respondeu, rindo. Juca arregalou os olhos. Até a casa de Clarinha já tinha caído! Então ele recomeçou, mas de um jeito novo. Escolheu um galho grosso do ipê, firme, pertinho do tronco. De lá não dava para ver o pôr do sol inteirinho, só um pedaço. Tudo bem. Em cada bocado de barro, Juca misturava um fiapo de capim seco. Apertava com o bico, alisava com o peito, esperava secar um pouco antes de colocar a camada seguinte. Era mais lento. Muito mais lento. Os dias passaram. Quando a parede estava subindo, uma chuva fininha levou uma pontinha da borda. Juca olhou, respirou fundo, foi buscar mais barro e consertou aquele pedacinho. Só aquele pedacinho. O resto estava firme. Por fim, ele fez a parte mais bonita: uma paredinha por dentro, como um corredor, para o vento não entrar direto no quartinho. E virou a porta para o lado contrário de onde vinham as chuvas. Numa noite, o céu roncou forte. Os relâmpagos clareavam o pasto inteiro, e a chuva caiu sem parar. O ipê balançou. Juca se encolheu lá dentro do ninho novo, esperando ouvir o barulho de barro rachando. Mas não ouviu nada. Só o tamborilar da chuva lá fora, toc, toc, toc, e o vento passando do lado de fora sem conseguir entrar. A casinha não se mexeu. De manhã, Juca saiu na porta e cantou tão alto que os passarinhos da goiabeira olharam. Lá embaixo, o pasto estava molhado e brilhante. Na grama ainda dava para ver os restinhos das duas primeiras casas, já virando terra outra vez. Juca olhou para eles e não ficou triste. Cada um tinha ensinado alguma coisa. E naquela noite, quando o sol foi embora, ele se aninhou no quartinho seco e quentinho, ouvindo Clarinha cantar baixinho no ipê do lado, e dormiu feliz dentro da casa que tinha aprendido a fazer.

Para conversar
A casinha do Juca caiu duas vezes antes de ficar firme. Tem alguma coisa que você já tentou muitas vezes até conseguir? Como foi?
Esta história também fala dePaciênciaHumildade
Era uma vez… Terminamos!
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