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Histórias para a hora de dormir
Tico e o Tronco Cheio de Bananas
Era uma vez
Tico e o Tronco Cheio de Bananas
Generosidade7 min · 3-6 anos (geral)
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Era uma vez…

Era uma vez, numa floresta cheia de cipós e de árvores tão altas que pareciam fazer cócegas nas nuvens, um quati filhote chamado Tico. Tico tinha um rabo listrado que ele balançava para cá e para lá, um focinho comprido que farejava tudo e uma barriga que vivia roncando. Naquele ano, as chuvas tinham sido fortes. A água do rio subiu, levou muitas frutas embora, e quase todos os bichos da floresta andavam procurando comida com cuidado, devagarinho, olhando embaixo de cada folha. Uma manhã, depois de uma ventania, Tico subiu num barranco e parou de boca aberta. Ali, caído no chão, havia um cacho de bananas enorme. Eram tantas bananas, amarelinhas e cheirosas, que Tico precisou contar duas vezes. Uma, duas, três... vinte e duas bananas! — Achei primeiro — sussurrou ele, olhando para os lados. — São todas minhas. Tico arrastou o cacho até um tronco oco, bem escondido atrás de uma samambaia. Empurrou, puxou, bufou, e finalmente o cacho coube lá dentro. Ele cobriu a entrada com folhas secas e sentou em cima, todo orgulhoso. Comeu uma banana. Que delícia! Comeu outra. Hummm! Na terceira, a barriga já estava redonda como uma bola. Tico se deitou na sombra e ficou olhando o tronco. Ainda havia dezenove bananas lá dentro. Foi então que ele ouviu um barulhinho. Tic, tic, tic. Era a família Preá passando: a mamãe preá e seus quatro filhotes, pequenininhos, com o nariz mexendo sem parar. — Mamãe, eu estou com fome — disse o menor deles, bem baixinho. — Eu sei, meu amor — respondeu a mamãe preá. — Vamos procurar mais um pouco. Quem sabe perto do rio? Tico ficou parado. Sentiu o rabo murchar um pouquinho. Olhou para o tronco, olhou para os preás, olhou para o tronco de novo. — Mas fui eu que achei — pensou. — E se amanhã eu ficar com fome? E se eu dividir e não sobrar nada? Os preás foram se afastando. Lá no alto, numa galha torta, a sabiá Dona Clara tentava cantar para os filhotes dormirem, mas a música saía fraquinha, porque ela também não tinha comido quase nada. E lá embaixo, perto das pedras, a velha tartaruga Dona Lua caminhava devagar, devagarzinho, procurando alguma folha macia. Tico apertou as patinhas. Então, sem pensar mais, pulou do tronco, afastou as folhas secas e puxou uma banana. — Ei! Esperem! — gritou, correndo atrás dos preás. A família parou. Tico estendeu a banana para o filhote menor, que arregalou os olhinhos. — É para mim? — É para vocês. E tem mais. Venham comigo! Tico voltou ao tronco e, uma por uma, foi tirando as bananas lá de dentro. Chamou Dona Clara, que desceu voando com os filhotes. Chamou Dona Lua, que chegou devagar, mas chegou. Chamou o tatu Bento, que apareceu esfregando os olhos, e os macaquinhos, que vieram pulando de galho em galho. Logo havia uma roda de bichos em volta do tronco oco. Tico descascava as bananas e passava adiante. Uma para cada um. Uma picadinha para os filhotes da sabiá. Uma bem madura para Dona Lua, que gostava de tudo macio. E quando chegou a vez dele, sobrou exatamente uma banana. Tico olhou para ela e riu. Ele não estava mais com fome. Estava com outra coisa na barriga, uma coisa quentinha, que nenhuma banana dava. A tarde foi caindo devagar. O céu ficou cor de laranja, depois cor-de-rosa. Dona Clara, de barriguinha cheia, subiu no galho mais alto e cantou a música mais bonita que a floresta tinha ouvido em muitos dias. Os filhotes de preá dormiram enroladinhos uns nos outros. Os macaquinhos bocejaram. Antes de ir embora, Dona Lua chegou pertinho de Tico. — Amanhã cedo — disse ela, com sua voz lenta —, venha comigo até o outro lado do riacho. Lá tem um pé de goiaba que só eu conheço. Acho que dá para todo mundo. Tico balançou o rabo listrado, para cá e para lá. Naquela noite, deitado no seu cantinho, com as estrelas piscando entre as folhas, Tico pensou no tronco oco, agora vazio. E achou engraçado: o tronco estava vazio, mas ele nunca tinha se sentido tão cheio.

Para conversar
Tico achou as bananas primeiro e podia ter guardado todas. Por que será que ele se sentiu tão cheio ficando com uma só? O que você teria feito no lugar dele?
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Era uma vez… Terminamos!
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