✦✦✦✦
Era uma vez logo
Era uma vez
Histórias para a hora de dormir
Lia e o Barulho do Moinho Velho
Era uma vez
Lia e o Barulho do Moinho Velho
Coragem7 min · 3-6 anos (geral)
Ouvir · disponível
Assistir · em breve
Tamanho
Era uma vez…

Era uma vez, num vale cheio de macieiras, uma vila pequenina com casas de telhado vermelho e um riacho que passava cantando no meio de tudo. Na ponta da vila, no alto de uma colina, ficava um moinho velho de madeira. Fazia muitos anos que ninguém moía trigo nele. Suas pás grandes rodavam devagar com o vento, nhec... nhec... nhec. Numa noite de outono, todo mundo ouviu um som estranho vindo do moinho. Uuuuu... crec! Uuuuu... crec! Na noite seguinte, o som voltou. E na outra também. As crianças da vila começaram a inventar histórias. Rui dizia que era um gigante. Clara dizia que era um fantasma que tinha perdido o chapéu. Lia, uma menina de tranças compridas, ouvia tudo com o coração apertado. Ela morava bem pertinho da colina. Toda noite, deitada na cama, escutava o uuuu... crec, puxava o cobertor até o nariz e demorava muito para dormir. O avô de Lia, Vô Matias, tinha sido o moleiro daquele moinho quando era jovem. Ele conhecia cada tábua, cada degrau, cada parafuso. Mas agora andava com uma bengala, porque a perna doía. — Vô — perguntou Lia uma tarde —, o senhor tem medo do barulho do moinho? Vô Matias pensou um pouco. — Tenho mais curiosidade do que medo. Mas minha perna não sobe mais aquela escada até o sótão. Naquela noite, o som veio de novo. Uuuuu... crec! E dessa vez, junto com ele, Lia ouviu outra coisa: um piadinho fraco, bem fininho. Piu... piu... Lia sentou na cama. Gigante não fazia piu. Fantasma também não. Na manhã seguinte, ela foi até o avô com o coração batendo forte. — Vô, eu quero ir ao moinho. Com o senhor. O senhor segura a escada, e eu subo. Vô Matias olhou bem nos olhos dela. — Tem certeza? Lia não tinha certeza nenhuma. As pernas dela já tremiam só de pensar. Mas ela fez que sim com a cabeça. No fim da tarde, quando o sol ainda pintava o céu de laranja, os dois subiram a colina. Vô Matias levava a bengala e uma lanterna. Lia levava uma tesourinha sem ponta e o casaco abotoado até o queixo. Dentro do moinho, tudo cheirava a madeira velha e farinha antiga. Vô Matias firmou a escada com as duas mãos. — Estou segurando bem firme. Pode ir com calma. Lia pôs o pé no primeiro degrau. Depois no segundo. No terceiro, o degrau rangeu, e ela parou, apertando os olhos. Queria descer. Queria voltar para casa e se enfiar debaixo do cobertor. Então, baixinho, começou a cantar a música que a mãe cantava para ela dormir. E subiu mais um degrau. E mais um. E mais um. Quando a cabeça dela chegou ao sótão, Lia acendeu a lanterna. Uuuuu! O som estava pertinho. Ela virou a luz devagar... e lá, num canto, viu dois olhos redondos e amarelos. Era uma coruja! Uma coruja-mãe, de penas cor de café com leite. Uma das patinhas estava enroscada num pedaço de rede velha, presa num prego. Cada vez que ela tentava se soltar, uma tábua solta do chão fazia crec! E atrás dela, num ninho de palha, três corujinhas faziam piu, piu, piu. — Vô! — sussurrou Lia. — É uma coruja presa! — Vá devagar — respondeu o avô lá de baixo. — Não toque nela. Corte só a rede, longe da patinha. Lia se aproximou bem devagar. A coruja ficou parada, olhando. Lia esticou o braço, segurou a tesourinha com as duas mãos e... tic, tic, tic. Cortou a rede, fio por fio. A coruja puxou a patinha, abriu as asas e voou até o ninho, cobrindo os filhotes. Lia desceu a escada com as pernas ainda tremendo, mas com um sorriso enorme. Vô Matias a abraçou tão forte que a bengala caiu no chão. Naquela noite, a vila inteira dormiu tranquila. Do alto da colina vinha só um som macio, que agora ninguém achava assustador: uuu... uuu... Era a coruja-mãe dizendo boa-noite. E Lia, com o cobertor só até o ombro, dormiu antes de chegar ao fim da música.

Para conversar
Lia estava com muito medo e mesmo assim subiu a escada, cantando baixinho. O que você acha que ajudou Lia a continuar? E o que ajuda você quando sente medo?
Esta história também fala deEmpatiaConfiança
Era uma vez… Terminamos!
Avaliar e ver a próxima