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Histórias para a hora de dormir
Pluma e a Noite das Estrelas Cadentes
Era uma vez
Pluma e a Noite das Estrelas Cadentes
Generosidade7 min · 3-6 anos (geral)
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Era uma vez…

Era uma vez, num bairro de ruas inclinadas e telhados vermelhos, uma menina chamada Pluma. Pluma tinha joelho ralado, cabelo cacheado e uma mochila cheia de chaveiros. Mas tinha também um poder que o bairro inteiro conhecia: quando ela fechava os olhos e soprava devagarinho, as coisas flutuavam. Uma bola presa no telhado descia flutuando. O gato da dona Zezé, preso na árvore, voltava para o chão como uma bolha de sabão. Todo ano, no fim do verão, acontecia a Noite das Estrelas Cadentes. As famílias subiam o Morro do Cajueiro com cobertores e ficavam deitadas na grama, vendo estrelas riscando o céu. E Pluma tinha o lugar mais especial de todos: o velho mirante de madeira no topo do morro, com uma grade baixinha em volta. Lá de cima, não tinha árvore nenhuma na frente. Dava para ver o céu inteirinho, de ponta a ponta. Pluma esperou aquela noite o ano todo. Separou sua almofada de estrelinhas e o cobertor azul. Quando o sol começou a descer, ela foi a primeira a chegar ao pé do morro. — Hoje eu vou contar cem estrelas! — disse para a mãe, pulando de alegria. A subida era longa. As crianças maiores corriam na frente. Pluma ia logo atrás, quase flutuando de tão animada. Mas, na metade do caminho, ouviu um chorinho. Sentado numa pedra estava Léo, o menino mais novinho da rua, de quatro anos. Suas perninhas estavam cansadas, a sandália tinha machucado o dedo, e a irmã dele, a Bia, tentava carregá-lo no colo, mas ele era pesado demais para ela. — Eu não vou ver as estrelas — soluçava Léo. — Eu não consigo subir. Pluma olhou para o alto do morro. O céu já estava ficando roxo. Logo começariam as primeiras estrelas cadentes. Se ela parasse agora, ia chegar atrasada. Mas olhou de novo para Léo, com o rosto todo molhado. — Bia — disse Pluma —, posso ajudar? Bia fez que sim. Pluma fechou os olhos e soprou bem devagar, bem de leve. Léo começou a flutuar, só um pouquinho acima do chão, como se estivesse sentado numa nuvem. Bia segurava a mão dele de um lado, Pluma segurava do outro. E assim os três subiram o morro, passo por passo, bem devagar, porque fazer alguém flutuar com cuidado exige muita atenção. Léo parou de chorar e começou a rir. — Eu sou um balão! Eu sou um balão! Quando chegaram ao topo, a chuva de estrelas já tinha começado. As crianças gritavam: — Olha ali! Mais uma! Pluma estava cansada e um pouco suada. Olhou para o mirante, o seu lugar especial. E olhou para Léo, que, mesmo no alto do morro, não conseguia ver quase nada: as árvores e os adultos na frente tapavam o céu para alguém tão pequeno. Pluma pensou na sua almofada de estrelinhas. Pensou nas cem estrelas que ia contar. Então pegou na mão de Léo e subiu com ele os degraus do mirante, com Bia e o pai deles logo atrás. Pôs a sua almofada embaixo do Léo e o seu cobertor azul em volta dos dois irmãos. Para ela, sobrou só um cantinho apertado, na beiradinha. — E você? — perguntou Bia. — Eu caibo aqui — disse Pluma, encolhendo os joelhos. Pluma sabia que não ia mais contar cem estrelas. Já tinha perdido o começo. Mas, de repente, Léo puxou a manga dela. — Pluma! Olha! Atrás de você! Pluma virou. E bem naquele pedaço do céu, para onde ela nunca olhava, riscou a maior estrela cadente que ela já tinha visto, comprida e dourada, deixando um rastro de brilho. — Se você não tivesse me trazido, eu não ia ver — disse Léo. — E se você não estivesse aqui, eu também não ia ver — riu Pluma. Os três ficaram ali, lado a lado, até a lua subir bem alto. Não contaram cem estrelas. Contaram vinte e três, juntos, cada uma comemorada com um gritinho. Quando a noite ficou fresquinha e os olhos começaram a pesar, Léo adormeceu encostado no ombro de Pluma. No dia seguinte, apareceu na porta de Pluma um desenho feito com giz de cera: um mirante, três crianças e uma estrela enorme e dourada. Embaixo, com letras tortas que a Bia ajudou a escrever, estava escrito: obrigado, Pluma.

Para conversar
Pluma deu o seu lugar especial para o Léo e ficou só com um cantinho. Como você acha que ela se sentiu naquela noite?
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Era uma vez… Terminamos!
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