Clara e a Festa ao Contrário
Era uma vez
Clara e a Festa ao Contrário
Gratidão7 min · 3-6 anos (geral)
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Era uma vez…

Era uma vez, num reino de colinas verdes e rios azuis, uma princesa chamada Clara. Clara morava num castelo enorme, com torres pontudas e jardins floridos. Todas as manhãs, quando ela acordava, as coisas já estavam prontas. O pão quentinho esperava na mesa. As flores do vaso estavam fresquinhas. Os sapatos estavam limpos, e a biblioteca, quentinha. Clara achava que era assim mesmo: as coisas simplesmente apareciam. Faltava uma semana para o aniversário de Clara. Ela ia fazer sete anos. — Que presente você quer, filha? — perguntou a rainha. Clara pensou, pensou... e não conseguiu responder. Ela já tinha tantos brinquedos que alguns nem saíam do baú. Naquela madrugada, Clara acordou com um barulhinho. Desceu as escadas de pantufas, bem devagar, e espiou pela porta da cozinha. Lá estava dona Rosa, a padeira, com farinha até os cotovelos, sovando a massa enquanto o castelo inteiro dormia. — Dona Rosa? Você não dorme? — Durmo cedo, alteza, e acordo antes do galo. Senão o pão não fica pronto para o seu café. Clara arregalou os olhos. Então era dona Rosa quem fazia o pão! Todos os dias! Na manhã seguinte, Clara começou a reparar. Viu seu Tomé, o jardineiro, ajoelhado na terra molhada, colhendo as flores que iam para o vaso do quarto dela. Viu Lia, a filha da lavadeira, esfregando os sapatos dela com um paninho. Viu o velho Bento carregando lenha para a biblioteca, com as costas curvadas. Cada coisa que ela achava que aparecia sozinha tinha alguém por trás. Alguém que acordava cedo, que se cansava, que cuidava dela sem ela nunca ter dito nada. Clara sentiu um aperto no peito. Ela nunca tinha agradecido. Nem uma vez. Nem sabia o nome da maioria daquelas pessoas. Quando a rainha perguntou de novo sobre o presente, Clara já sabia. — Mamãe, eu quero dar uma festa. Mas uma festa ao contrário. — Ao contrário? — É. Em vez de as pessoas do castelo servirem a festa, a gente serve elas. O rei e a rainha se olharam e sorriram. A semana inteira, Clara trabalhou. Pediu a dona Rosa que lhe ensinasse a fazer pão e ficou com as mãos doloridas de tanto sovar a massa. Dona Rosa cuidava do forno, claro, porque forno quente é coisa de gente grande. Pediu a seu Tomé que lhe mostrasse onde cresciam as flores e colheu um buquê para cada pessoa. Com a ajuda de Lia, fez cartõezinhos com o nome de cada um. Alguns pães saíram tortos. Um cartão manchou de tinta. Clara ficou chateada, mas não desistiu: fez de novo. No dia do aniversário, o grande salão estava enfeitado. Mas quem sentou nas cadeiras de veludo não foram os nobres. Foram dona Rosa, seu Tomé, Lia e sua mãe, o velho Bento, os cozinheiros, os cavalariços e as costureiras. Eles entraram meio sem jeito, olhando para tudo, sem saber direito o que fazer. Então a princesa Clara apareceu de avental branco, carregando uma bandeja. Foi de mesa em mesa, servindo um pão, um pouco torto, para cada um, entregando um buquê e um cartão com o nome escrito. E, para cada pessoa, olhava nos olhos e dizia uma coisa diferente. — Seu Bento, obrigada pela biblioteca quentinha nos dias de frio. — Dona Rosa, obrigada por acordar antes do galo. — Lia, obrigada pelos meus sapatos brilhando. Dona Rosa segurou o pão torto como se fosse uma joia. Seu Tomé tirou o chapéu e ficou girando nas mãos. O velho Bento piscou várias vezes, com os olhos molhados, e disse baixinho: — Em quarenta anos de castelo, alteza, é a primeira vez que alguém me agradece pela lenha. Naquela noite, depois da festa, Clara foi para o quarto cansada e feliz. As flores do vaso estavam fresquinhas, como sempre. Mas agora ela sabia de onde vinham. E, preso entre as pétalas, havia um bilhetinho com letra caprichada: Feliz aniversário, princesa. Com carinho, Tomé. Clara sorriu, puxou o cobertor e dormiu com o bilhete debaixo do travesseiro. Na manhã seguinte, desceu bem cedinho até a cozinha só para dizer: — Bom dia, dona Rosa. Obrigada pelo pão.

Para conversar
Clara descobriu que muita gente cuidava dela sem ela perceber. Quem será que cuida de você sem você reparar?
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Era uma vez… Terminamos!
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