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Histórias para a hora de dormir
Gabriel e o Gatinho Debaixo do Sofá
Era uma vez
Gabriel e o Gatinho Debaixo do Sofá
Paciência6 min · 3-6 anos (geral)
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Era uma vez…

Era uma vez um menino chamado Gabriel, que morava num apartamento pequeno com a mãe, o pai e uma planta chamada Dona Samambaia. Fazia muito tempo que Gabriel pedia um gato. Desenhava gatos, imitava gatos, miava para os pombos da janela. Até que, num sábado, a família foi até um abrigo de animais e voltou para casa com uma caixinha de papelão cheia de furinhos. Dentro dela havia um gatinho cinza, com as patinhas brancas, como se estivesse de meia. Gabriel deu a ele o nome de Fumaça. — Agora a gente vai brincar o dia inteiro! — disse Gabriel, abrindo a caixa com as mãos tremendo de alegria. Mas Fumaça não quis saber de brincar. Assim que a caixa abriu, ele pulou para fora, correu pela sala como um raio cinza e se enfiou debaixo do sofá. E de lá não saiu mais. Gabriel deitou no chão e espiou. Lá no fundo, no escurinho, brilhavam dois olhos amarelos e arregalados. — Vem, Fumaça! Vem cá! — chamou. Esticou o braço o mais que pôde. Fumaça se encolheu ainda mais e soltou um chiado baixinho: fffff. Gabriel tentou de tudo. Balançou um barbante. Bateu palmas. Chacoalhou o pote de ração. Nada. Quanto mais ele tentava, mais Fumaça se escondia. Na hora do jantar, Gabriel estava emburrado. — Ele não gosta de mim. — Ele nem te conhece ainda — disse o pai. — Ele estava num lugar, de repente entrou numa caixa, sacudiu no carro e chegou numa casa cheia de cheiros novos e gente enorme. Gabriel ficou pensando. Lembrou do primeiro dia na escolinha, quando passou a manhã inteira agarrado na perna da mãe. No dia seguinte, Gabriel teve uma ideia. Ele não ia mais chamar, nem puxar, nem chacoalhar nada. Pegou seu livro de figuras favorito, sentou no tapete, a um passo do sofá, e ficou lá, quietinho, virando as páginas. De vez em quando, contava a história baixinho, como se estivesse lendo para alguém. Deixou um pratinho de ração e uma tigela de água por perto e não olhou para debaixo do sofá nem uma vez. Foi difícil. Muito difícil. Os pés formigavam. A vontade de espiar coçava por dentro. Mas Gabriel ficou. No terceiro dia, ouviu um barulhinho de croc, croc. Fumaça estava comendo! Gabriel segurou o sorriso e continuou virando as páginas, sem se mexer. No quinto dia, um focinho cor-de-rosa apareceu na beiradinha do sofá. Cheirou o ar. Cheirou o tapete. Cheirou a pontinha do pé de Gabriel. E voltou correndo para dentro. O coração de Gabriel deu um pulo, mas ele continuou paradinho. No sétimo dia, choveu a tarde inteira. Gabriel estava no tapete, como sempre, lendo a história do urso que dormia o inverno todo. De repente, sentiu uma coisa macia encostando no braço. Olhou bem devagarinho, só com os olhos. Era Fumaça, sentado ao lado dele, olhando também para as figuras do livro, como se quisesse saber o final. Gabriel não pulou. Não gritou. Não agarrou. Só estendeu a mão, bem devagar, com a palma aberta, e esperou. Fumaça cheirou seus dedos, um por um. E então encostou a cabeça na mão dele e empurrou, pedindo carinho. Gabriel fez carinho atrás da orelhinha cinza. E ouviu um som que nunca tinha ouvido tão de perto: um ronronar baixinho, que parecia um motorzinho de brinquedo. — Mãe! Pai! Olha! — sussurrou ele, sem levantar a voz. Os pais espiaram da porta da cozinha e sorriram. Naquela noite, quando Gabriel foi dormir, ouviu passinhos leves no corredor. A porta do quarto, que estava encostada, se abriu um pouquinho. Uma sombra cinza pulou na cama, deu três voltinhas em cima do cobertor e se enroscou bem pertinho dos pés dele. Gabriel sorriu no escuro. Fumaça ronronou. E os dois dormiram juntos, enquanto a chuva cantava devagar na janela.

Para conversar
Gabriel queria muito abraçar o Fumaça, mas esperou sete dias. Qual foi a coisa mais difícil que você já teve que esperar?
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Era uma vez… Terminamos!
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