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Histórias para a hora de dormir
Bolha e o Telhado de Sabão
Era uma vez
Bolha e o Telhado de Sabão
Criatividade6 min · 3-6 anos (geral)
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Era uma vez…

Era uma vez uma menina chamada Bolha, que morava num bairro cheio de árvores e de super-heróis. No prédio azul morava o Pedrão, que levantava caminhões com um dedo só. Na casa da esquina morava a Fagulha, que voava mais rápido que os passarinhos. E na casinha amarela, com um vaso de margaridas na janela, morava Bolha, que tinha um poder bem diferente: quando ela soprava, saíam bolhas de sabão mágicas, brilhantes, que flutuavam para onde ela quisesse. Bolha gostava do seu poder, mas às vezes ficava olhando o Pedrão erguer uma árvore caída e a Fagulha atravessar o céu, e pensava: — Bolha de sabão não salva ninguém. Bolha de sabão só faz cócegas no nariz. Num sábado de sol, a praça do bairro estava toda enfeitada. Era o dia da Feira dos Livros. Havia mesas compridas cheias de livros de histórias, de bichos, de planetas e de dinossauros. As crianças sentavam em almofadas no chão, e a dona Lurdes, a bibliotecária, lia em voz alta com seus óculos redondos. De repente, o céu começou a escurecer. Uma nuvem grande e cinzenta veio rolando lá de cima do morro. Plic. Plic. Caíram as primeiras gotas. — Os livros! — disse dona Lurdes. — Se molharem, as páginas vão grudar e estragar! Pedrão correu e tentou empurrar a nuvem com as mãos, mas nuvem não é coisa que se empurra. Fagulha voou lá para cima e soprou e soprou, mas a nuvem era grande demais. As gotas ficavam cada vez mais grossas. Bolha respirou fundo e soprou a maior bolha que conseguiu. A bolha cresceu, cresceu, ficou do tamanho de um guarda-chuva... e POC! Estourou com a primeira gota que caiu em cima dela. Ela tentou de novo. Uma bolha ainda maior. POC! Bolha sentiu as bochechas quentes. Deu vontade de ir para casa. Mas então olhou para a pia da barraca de pastel, ali do lado, onde o seu Tonico lavava os copos. Na pia havia espuma. Muita espuma. E a espuma não estourava com as gotas. As gotas caíam em cima e escorregavam para o lado. Bolha chegou mais perto e olhou bem. A espuma era feita de um monte de bolhinhas pequenas, todas grudadinhas umas nas outras, segurando umas às outras, como uma porção de amigos de mãos dadas. — É isso! — ela disse baixinho. Em vez de soprar uma bolha gigante, Bolha começou a soprar bolhinhas pequenas. Muitas. Centenas. Fiu, fiu, fiu. E foi colocando uma do lado da outra, bem juntinhas, como quem monta um quebra-cabeça no ar. Mas eram muitas mesas, e ela tinha um fôlego só. — Pedrão! Fagulha! Me ajudem! Fagulha voou em volta, fazendo um ventinho bem leve que empurrava as bolhinhas para o lugar certo. Pedrão segurou as pontas do telhado de bolhas, firmes, no alto dos postes da praça. E as crianças, que estavam assistindo, também quiseram ajudar: pegaram os potinhos de bolha de sabão que vendiam na feira e começaram a soprar junto. Bolhinhas comuns e bolhinhas mágicas, todas misturadas. Aos pouquinhos, um telhado brilhante foi se formando em cima das mesas. Parecia um favo de mel feito de arco-íris. A chuva caía em cima dele, tic-tic-tic, e escorria pelas beiradas como uma cortina de água, sem molhar uma página sequer. Embaixo do telhado de sabão, dona Lurdes abriu o livro de novo e continuou a leitura. As crianças se aconchegaram nas almofadas. O som da chuva lá em cima parecia uma música. Quando a nuvem foi embora e o sol voltou, Bolha deu um sopro bem levinho, e o telhado se desfez em mil bolhinhas que subiram para o céu, brilhando. — Eu não sabia que bolhinha pequena podia ser tão forte — disse Pedrão, coçando a cabeça. — Nem eu — disse Bolha, sorrindo. Naquela noite, já de pijama, Bolha ficou soprando bolhinhas pela janela do quarto. Elas subiam devagar, juntinhas, e se misturavam com as estrelas. E ela adormeceu pensando em quantas outras coisas ainda poderia inventar com o poder que tinha.

Para conversar
Bolha achava que seu poder era pequeno demais, até inventar um jeito novo de usá-lo. Tem alguma coisa que você sabe fazer que poderia ser usada de um jeito diferente?
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Era uma vez… Terminamos!
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