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Era uma vez
Histórias para a hora de dormir
Helen e a Palavra Água
Era uma vez
Helen e a Palavra Água
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Era uma vez…

Era uma vez, numa cidadezinha chamada Tuscumbia, nos Estados Unidos, uma menina chamada Helen. Ela morava numa casa branca, com um jardim cheio de flores perfumadas e uma bomba de água no quintal. Quando era bebezinha, Helen ficou muito doente. Ela sarou, mas a doença deixou uma marca: Helen não conseguia mais enxergar nem ouvir. O mundo dela era feito de cheiros, de cócegas, de coisas quentes e frias, ásperas e macias. Ela sentia o cheiro do pão saindo do forno e o vento no rosto. Mas não sabia que as coisas tinham nome. E isso deixava Helen muito, muito brava. Ela queria dizer: estou com fome, quero passear, quero colo. Mas não tinha palavras. Então às vezes batia o pé, puxava a toalha da mesa, chorava alto. Um dia, chegou à casa uma moça chamada Anne Sullivan. Anne tinha os olhos fraquinhos e usava óculos escuros. Ela tinha vindo de longe para ser a professora de Helen. No primeiro dia, Anne deu a Helen uma boneca. E na palma da mão da menina, com os dedos, Anne desenhou umas letrinhas: b-o-n-e-c-a. Helen achou divertido e copiou o movimento com os dedos. Mas não entendeu que aquilo era o nome da boneca. Para ela, era só uma brincadeira de dedos. Os dias passaram. Anne desenhava palavras na mão de Helen o tempo todo: bolo, chapéu, cachorro, caneca. Helen copiava, copiava, mas nada fazia sentido. Uma tarde, cansada e confusa, ela jogou a boneca nova no chão. A boneca se quebrou em pedacinhos. Helen nem ligou. Anne não ficou brava. Juntou os pedacinhos, pegou a mão de Helen com calma e escreveu nela: vamos passear. As duas foram até a bomba de água do quintal. Alguém começou a bombear, e a água fresquinha saiu, gelada, escorrendo pela mão de Helen. E enquanto a água corria por uma mão, Anne desenhava na outra, devagar, devagarinho: á-g-u-a. Helen ficou parada. A água corria. Os dedos de Anne desenhavam de novo: á-g-u-a. E de repente, como uma janela que se abre dentro do peito, Helen entendeu. Aquela coisa fria e maravilhosa que escorria pela sua mão tinha um nome. Água! Tudo tinha um nome! Helen se abaixou e tocou o chão. Virou-se para Anne, ansiosa, como quem pergunta: e isto? Anne desenhou: t-e-r-r-a. Helen tocou a bomba, a árvore, o portão. Cada coisa ganhava um nome. Ela ia de um lado para o outro, com o coração batendo forte. Então Helen tocou o rosto de Anne. Quem era ela? Anne desenhou na palma da mão dela, com carinho: p-r-o-f-e-s-s-o-r-a. Helen ficou um tempo com a mão parada. Depois lembrou da boneca quebrada. Voltou para dentro de casa, tateando, achou os pedacinhos e tentou juntá-los. Pela primeira vez, sentiu vontade de cuidar das coisas. E sentiu um apertinho no coração. Naquela noite, Helen demorou para dormir. Ficou pensando em todas as palavras novas, uma por uma, como quem conta tesouros debaixo do cobertor. Na manhã seguinte, bem cedinho, Helen foi ao jardim. Com as mãos, foi tateando os canteiros até encontrar as primeiras violetas da primavera, pequenas e perfumadas. Colheu um punhadinho, com todo o cuidado para não amassar. Depois atravessou a casa procurando Anne, sentindo no chão de madeira o tremidinho dos passos dela. Quando a encontrou, Helen estendeu as violetas. E na mão de Anne, devagar, escreveu com os dedos a palavra mais nova e mais bonita que tinha aprendido: professora. Anne abraçou Helen bem apertado. Daquele dia em diante, Helen chamou Anne sempre assim: Professora. As duas foram amigas a vida inteira. Helen aprendeu a ler, a escrever, a falar e até foi para a faculdade. Depois viajou pelo mundo ajudando outras pessoas que, como ela, não enxergavam ou não ouviam. Mas ela sempre contava que tudo começou numa manhã de primavera, com um pouco de água fresca escorrendo pela mão e uma professora que não desistiu dela.

Para conversar
Helen agradeceu à professora com violetas e com a palavra nova que tinha aprendido. Quem já te ensinou alguma coisa importante, e como você poderia mostrar a essa pessoa que ficou feliz?
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Era uma vez… Terminamos!
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