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Histórias para a hora de dormir
Clara e o Cavalo Gigante
Era uma vez
Clara e o Cavalo Gigante
Coragem6 min · 3-6 anos (geral)
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Era uma vez…

Era uma vez, num reino de colinas verdes e rios cheios de peixinhos, uma princesa chamada Clara. Clara gostava de muitas coisas: de subir na torre para ver as nuvens, de ajudar a cozinheira a fazer pão de mel e de conversar com os patos do lago. Mas tinha uma coisa de que Clara não gostava nem um pouquinho: cavalos. Principalmente do Trovão. Trovão era o cavalo mais antigo do castelo. Era enorme, escuro como a noite, com uma crina comprida e cascos do tamanho de panelas. Quando ele bufava, saía um vento quente das narinas. Quando batia o casco no chão, as pedras do estábulo pareciam tremer. Clara sempre passava longe do estábulo, segurando a saia e andando bem depressa. Um dia de inverno, o velho cavalariço Martim, que cuidava dos cavalos, chegou ao salão com a testa franzida. — Trovão não está bem, Majestade — disse ele ao rei. — Está velhinho e tristonho. Não quer comer nada no cocho. Só aceita comida da mão de alguém, e da minha mão ele já não quer mais. O rei tentou. A rainha tentou. O cozinheiro tentou. Trovão virava a cabeça para o outro lado. Clara ouviu tudo de trás da cortina. Ela sabia uma coisa que ninguém sabia: às vezes, quando passava correndo perto do estábulo, Trovão esticava o pescoço e cheirava o ar na direção dela. Ela sempre achou que era para assustá-la. Mas e se não fosse? Naquela tarde, Clara pegou uma maçã vermelha na cozinha e foi até a porta do estábulo. Martim estava lá dentro, escovando um potro. As pernas de Clara tremiam. O coração batia tão forte que ela ouvia nos ouvidos. Lá no fundo, na última baia, estava Trovão, de cabeça baixa. — Martim — ela disse, com a voz fininha. — Fica comigo? — Fico, princesa. Estou bem aqui do seu lado. Clara deu um passo para dentro. O cheiro de feno subiu no nariz. Deu outro passo. Trovão levantou as orelhas. Clara parou. Quis dar meia-volta e sair correndo. Mas olhou para os olhos do cavalo e viu que eles não eram bravos. Eram olhos cansados, grandes, molhados, como os olhos de quem está com saudade de alguma coisa. Ela deu mais um passo. E outro. Quando chegou na frente da baia, Clara estava tremendo da cabeça aos pés. Martim mostrou como fazer: mão bem aberta, retinha, com a maçã no meio da palma. Clara esticou o braço devagar, devagarinho. Trovão abaixou a cabeça enorme. O focinho dele chegou bem perto. Era macio como veludo e fazia cócegas. Clara fechou os olhos. Crec! Trovão comeu a maçã. Inteirinha. Depois deu um bufo morno na mão dela, como quem diz obrigado. Clara abriu os olhos e começou a rir. Um riso que vinha lá de dentro e não parava mais. — Ele comeu, Martim! Ele comeu da minha mão! Martim sorriu, com os olhos brilhando. — Comeu, sim. Acho que ele estava esperando por você há muito tempo. Daquele dia em diante, todas as tardes, Clara ia até o estábulo levar uma maçã, uma cenoura ou um punhado de aveia para o Trovão. No começo, ainda sentia as pernas tremerem um pouquinho. Mas ia mesmo assim. Aos poucos, aprendeu com Martim a escovar a crina dele, a falar baixinho no ouvido dele e a perceber quando ele estava com frio. E Trovão foi ficando mais forte. Seus olhos voltaram a brilhar. Na primavera, já trotava pelo pasto, levantando a cabeça para o sol. Numa tarde dourada, Clara estava sentada na cerca do pasto quando Trovão veio caminhando devagar até ela e encostou a cabeça enorme no seu ombro. Ela fez carinho no pescoço dele e ficou ali, quietinha, vendo o sol se pôr atrás das colinas. O cavalo continuava gigante. Os cascos continuavam do tamanho de panelas. Mas agora, quando Clara ouvia o barulho deles batendo no chão, era como ouvir um amigo chegando.

Para conversar
Clara tinha medo do Trovão, mas descobriu que ele não era bravo, só estava triste. Tem alguma coisa que já te deu medo e depois você descobriu que era diferente do que parecia?
Esta história também fala deEmpatiaResponsabilidade
Era uma vez… Terminamos!
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