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Histórias para a hora de dormir
Vicente e o Saco de Castanhas
Era uma vez
Vicente e o Saco de Castanhas
Generosidade7 min · 3-6 anos (geral)
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Era uma vez…

Era uma vez, numa aldeia no alto das montanhas, onde o inverno chegava cedo e a neve cobria os telhados como um cobertor branco, um menino chamado Vicente. Durante todo o outono, Vicente tinha feito uma coisa só: catar castanhas. Todos os dias, depois de ajudar a mãe, ele pegava seu saquinho de pano e subia até o bosque de castanheiros. Procurava entre as folhas secas, abria os ouriços espinhudos com a ponta da bota e guardava as castanhas, uma por uma. No fim da estação, tinha o maior saco de castanhas da aldeia. Era pesado, gordo e cheirava a floresta. — Na Festa da Primeira Neve — dizia Vicente para quem quisesse ouvir —, vou comer castanhas assadas até não aguentar mais! Ele guardou o saco embaixo da cama e, toda noite, enfiava a mão lá dentro só para sentir as castanhas lisinhas. Na véspera da festa, começou a nevar forte. Tão forte que a estrada da montanha desapareceu debaixo do branco. No fim da tarde, alguém bateu na porta da estalagem da aldeia, onde Vicente estava com o pai entregando lenha. Era uma família de funileiros, aqueles que consertam panelas e fazem canecas de lata. Estavam viajando para a cidade do outro lado da montanha, mas a neve tinha fechado o caminho. Eram um pai, uma mãe e uma menina pequena, de bochechas vermelhas de frio, chamada Clarice. Tinham gastado quase toda a comida na viagem, e ainda faltavam alguns dias até a estrada abrir. Dona Firmina, a dona da estalagem, deu a eles um quarto quentinho. Mas a despensa dela estava quase vazia. — Vou ver o que consigo — disse, preocupada. Logo as pessoas da aldeia começaram a aparecer. O padeiro trouxe dois pães redondos. A senhora das cabras trouxe uma jarra de leite. O vizinho de Vicente trouxe batatas. Cada um trazia um pouquinho. Vicente olhou para Clarice, sentada perto da lareira, enrolada num cobertor, olhando o fogo em silêncio. Depois lembrou do saco embaixo da cama. 'Mas são minhas', pensou ele. 'Eu catei todas. Ninguém me ajudou. E a festa é amanhã!' Ele voltou para casa com o pai sem dizer nada. Jantou quieto. Foi para a cama. Enfiou a mão no saco e sentiu as castanhas, lisinhas como sempre. Mas, naquela noite, elas não pareciam tão gostosas de tocar. Ele ficou um tempão de olhos abertos, ouvindo o vento. De manhã, bem cedo, Vicente pegou o saco. Era tão pesado que ele precisou arrastá-lo um pouco pela neve. Atravessou a praça, onde o povo já enfeitava tudo para a festa, e entrou na estalagem. Clarice estava lá, ainda perto da lareira. Vicente colocou o saco no chão, na frente dela, e abriu a boca do saco. — São castanhas — disse ele, meio sem jeito. — Eu catei no outono. Dá para comer muitas. Dona Firmina arregalou os olhos. — Vicente, isso é tudo o que você juntou! Vicente coçou a cabeça. — Eu sei — disse. E, para sua própria surpresa, não estava triste. Dona Firmina colocou as castanhas numa grande frigideira furada sobre o fogo da lareira, e logo um cheiro maravilhoso encheu a estalagem. Era um cheiro tão bom que foi escapando pela porta, pela janela, pela chaminé, e as pessoas da festa começaram a entrar, uma por uma, para ver o que era. Naquela noite, a Festa da Primeira Neve aconteceu dentro da estalagem. Todo mundo comeu castanhas quentinhas, descascadas na ponta dos dedos. Clarice ensinou a Vicente uma canção de estrada que os funileiros cantavam enquanto viajavam, e os dois cantaram juntos, desafinando e rindo. Vicente comeu muitas castanhas, mas menos do que tinha planejado. E foi a melhor festa da vida dele. Três dias depois, a neve parou e a estrada abriu. A família de funileiros seguiu viagem, acenando até sumir na curva. Quando a primavera chegou, alguém bateu na porta da casa de Vicente. Era Clarice, com os pais, de volta pela estrada. Nas mãos dela havia um presente: uma pequena lanterna de lata, toda furadinha em forma de estrelas, feita pelo pai dela. Naquela noite, a mãe de Vicente acendeu a lanterna e deixou ao lado da cama dele. As estrelinhas de luz se espalharam pelo teto do quarto inteiro. E, no outono seguinte, quando foi catar castanhas, Vicente levou dois sacos. Um para ele. E outro para quem chegasse.

Para conversar
Vicente catou as castanhas sozinho e mesmo assim decidiu dividir. O que será que ele sentiu naquela noite em que não conseguia dormir?
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Era uma vez… Terminamos!
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