
Era uma vez um menino chamado Téo que adorava a piscina. Ele gostava do cheiro de cloro, do barulho das gotas pingando no chão e, principalmente, de pular na parte rasinha, onde a água batia na barriga. Toda terça-feira, Téo ia para a aula de natação com a tia Rosa, a professora. Tia Rosa tinha um apito pendurado no pescoço, uma touca amarela e uma risada que ecoava pela piscina inteira. Naquela terça, ela bateu palmas e disse: — Hoje a gente vai aprender a boiar! As outras crianças gritaram de alegria. Téo não gritou. Ele segurou a borda da piscina com as duas mãos, bem forte. Boiar era deitar de costas na água, com as orelhas lá dentro, olhando para o teto. Sem pé no chão. Sem mão na borda. Só a água embaixo. E Téo não entendia como a água, que escorria pelos dedos, ia conseguir segurar um menino inteiro. Uma por uma, as crianças foram tentando. A Duda boiou de primeira, parecendo uma estrela-do-mar. O Caíque afundou o bumbum, riu, tentou de novo e conseguiu. Até a pequena Lis, que tinha medo de molhar o rosto, ficou boiando com a ajuda da tia Rosa. — Sua vez, Téo — disse a professora. Téo balançou a cabeça. — Eu vou afundar. Tia Rosa não insistiu. Ela se aproximou devagar e ficou do lado dele, também segurando a borda. — Sabe o que eu acho? Que você ainda não conhece direito a água. Vamos fazer amizade com ela primeiro? Ela pegou uma bola de plástico e colocou na água. A bola ficou lá em cima, balançando. — Empurra ela para baixo. Téo empurrou. A bola escapou e pulou de volta para cima. Ele empurrou de novo, mais forte. A bola pulou de novo, espirrando água no nariz dele. Téo deu uma risadinha. — A água gosta de empurrar as coisas para cima — disse tia Rosa. — Ela faz isso com bolas, com folhas, com patinhos. E faz com meninos também. Téo olhou para a água. Depois olhou para a professora. Depois olhou para a água de novo. — E se ela esquecer de me empurrar? Tia Rosa sorriu. — Então eu estou aqui. Vou colocar a minha mão embaixo das suas costas. Você não vai ver, mas ela vai estar lá. Téo respirou fundo. Soltou uma mão da borda. Depois a outra. Seus dedos tremiam um pouquinho. Ele deitou para trás, devagar, devagarinho, e sentiu a mão da tia Rosa nas costas, firme e quentinha. As orelhas entraram na água e, de repente, tudo ficou silencioso. Ele só ouvia um barulho abafado, como um mar distante. Olhou para o teto. Viu as luzes. Viu uma andorinha que tinha entrado pela janela e voava lá no alto. — Tô boiando? — perguntou ele. — Está — disse tia Rosa. — Agora eu vou tirar um dedo. Pode? Téo engoliu em seco. Pensou em dizer que não. Mas lembrou da bola pulando, teimosa, para cima. E disse: — Pode. Ela tirou um dedo. Depois outro. Depois mais um. Téo continuava lá em cima, deitado na água como se fosse uma cama macia. Ele abriu os braços, igual à Duda. Abriu as pernas também. Era uma estrela-do-mar. Quando tia Rosa tirou a mão inteira, ela não disse nada. Só ficou bem pertinho, olhando. E Téo boiou sozinho, uma, duas, três respirações, quatro, cinco, até que percebeu e deu uma gargalhada tão grande que precisou ficar de pé, tossindo e rindo ao mesmo tempo. — Eu boiei! A água me segurou! As outras crianças bateram palmas. A Lis bateu palmas tão forte que escorregou e sentou na parte rasa, e todo mundo riu junto. Naquela noite, depois do banho, Téo deitou na cama com o cabelo ainda cheirando a piscina. A mãe veio apagar a luz e perguntou como tinha sido a aula. Téo puxou o lençol até o queixo e contou tudo: da bola teimosa, da mão nas costas, do dedo que saiu, e do outro, e do outro. — Você ficou com medo? — perguntou a mãe. — Fiquei — disse Téo, já fechando os olhos. — Mas a tia Rosa estava lá. E a água também. E dormiu, leve, leve, como quem ainda está boiando.