Lara e o Quadradinho da Colcha
Era uma vez
Lara e o Quadradinho da Colcha
Resiliência7 min · 3-6 anos (geral)
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Era uma vez…

Era uma vez um reino pequenino, entre colinas e campos de girassóis, onde havia uma tradição muito antiga. Todo ano, na Festa da Colheita, cada criança que tinha completado seis anos bordava um quadradinho de pano. Depois, todos os quadradinhos eram costurados na Grande Colcha do Reino, que ficava pendurada no salão do castelo. A colcha já era enorme, cheia de quadradinhos de todas as cores, feitos por avós, pais, tios e crianças de muito tempo atrás. Naquele ano, a princesa Lara tinha feito seis anos. E ela estava muito animada. — Vou bordar um girassol — disse ela à rainha. — O maior e mais amarelo de todos! A rainha deu a ela um quadrado de pano branco, uma agulha grossa de ponta redonda, própria para crianças, e novelos de linha amarela, verde e marrom. Lara sentou perto da janela e começou. Bordar era mais difícil do que parecia. A linha dava nó. A agulha escapava. Mas Lara tentava, tentava, e aos poucos as pétalas foram aparecendo, uma por uma. No terceiro dia, metade do girassol estava pronta. Ela deixou o pano no parapeito da janela e foi tomar sopa. Quando voltou, levou um susto. Tinha caído uma chuva de verão, rápida e forte, e o pano estava encharcado. A linha amarela tinha soltado tinta e manchado tudo. O girassol agora parecia um ovo frito borrado. Lara sentou no chão e chorou um pouquinho. Depois limpou o nariz na manga, o que princesa não deveria fazer, e foi pedir outro pano. Recomeçou. Desta vez, bordou sentada na mesa, longe da janela. O girassol foi crescendo de novo, pétala por pétala. Ficou quase todo pronto. Faltava só o miolo. Mas aí entrou na sala o Biscoito, o gato do castelo, que adorava qualquer coisa que balançasse. Ele viu a ponta da linha marrom pendurada e pulou. Puxou, rolou, mordeu e saiu correndo pelo corredor com a linha atrás dele. Quando Lara conseguiu pegar o pano de volta, metade do bordado tinha se desmanchado. Dessa vez Lara não chorou. Ela ficou muito, muito brava. Bateu o pé. Disse que nunca mais ia bordar nada. Disse que a colcha podia ficar sem o quadradinho dela. E foi para o jardim pisando forte. Lá fora, encontrou a velha Dona Cida, a costureira do castelo, sentada num banco, remendando uma toalha. — Que cara é essa, princesa? Lara contou tudo: a chuva, a tinta, o gato, a linha. Dona Cida não disse nada por um tempo. Depois levantou a toalha que estava remendando e mostrou para Lara. — Esta toalha já rasgou umas cinco vezes. Está vendo os remendos? Lara olhou. Havia pontinhos de várias cores, uns tortos, uns retos. — E ela ainda serve? — perguntou Lara. — Serve todos os dias, no café da manhã do rei — riu Dona Cida. Lara ficou olhando a toalha. Depois olhou para o céu. Faltavam só dois dias para a festa. Ela voltou para dentro, pegou o pano desmanchado e sentou de novo na mesa. Não pediu pano novo. Puxou a linha solta com cuidado, devagar, até o ponto em que o bordado ainda estava firme. E recomeçou dali. O Biscoito tentou chegar perto outra vez, mas Lara deu a ele um novelo velho só para ele, e o gato ficou feliz da vida brincando no canto. Ela bordou o dia inteiro. Os dedos ficaram cansados. A linha deu nó umas três vezes, e três vezes ela desfez o nó, devagarinho. Quando o sol se pôs, a rainha acendeu um lampião, sentou ao lado dela e ficou fazendo companhia enquanto Lara terminava os últimos pontos. Na manhã da festa, o girassol estava pronto. Não era o maior do reino. Uma pétala tinha ficado mais curta que as outras, e o miolo estava um pouquinho torto. Mas estava ali, inteiro, feito ponto por ponto, depois de duas vezes começar de novo. Quando o quadradinho foi costurado na Grande Colcha, Lara procurou e encontrou, bem num canto, um quadradinho antigo com uma estrela meio torta. Embaixo, bordado bem pequenininho, estava um nome: Cida. Lara olhou para Dona Cida. Dona Cida piscou para ela. Naquela noite, depois da festa, a princesa dormiu com os dedos ainda formigando de tanto bordar. E no salão, a Grande Colcha balançava devagarinho, com um girassol novo no meio de todas as outras histórias.

Para conversar
O girassol da Lara não ficou perfeito, mas ficou pronto. Você já precisou começar alguma coisa de novo? Como foi tentar outra vez?
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Era uma vez… Terminamos!
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