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Histórias para a hora de dormir
Ímã e a Cerca do Seu Jorge
Era uma vez
Ímã e a Cerca do Seu Jorge
Responsabilidade6 min · 3-6 anos (geral)
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Era uma vez…

Era uma vez um menino chamado Léo que tinha um poder muito curioso. Quando ele esticava as mãos e se concentrava, as coisas de metal vinham voando até ele: chaves, colheres, clipes, tampinhas de garrafa. Por isso, no bairro, todo mundo o chamava de Ímã. Ímã usava seu poder para ajudar. Encontrava as chaves que a vizinha perdia na grama. Tirava o anel da dona Zezé que tinha caído no ralo da pia. Juntava num segundo os parafusos que o pai derrubava no chão da garagem. Mas às vezes, Ímã gostava de se exibir. Numa tarde de sábado, os amigos dele estavam na pracinha. 'Mostra o poder, Ímã! Faz uma coisa bem grande!', pediu o Juninho. Ímã olhou ao redor. Ali do lado ficava a horta do seu Jorge, cercada por uma cerca de madeira cheia de preguinhos. Ímã esticou as mãos e pensou: 'Vou puxar só um preguinho, para mostrar'. Mas o poder veio forte demais. Zzzzzum! Não veio um prego. Vieram todos! Os preguinhos saíram voando da cerca e grudaram nas mãos dele, como um porco-espinho de metal. As tábuas da cerca balançaram... e caíram, uma atrás da outra: tum, tum, tum. E de dentro da horta saíram as galinhas do seu Jorge, cacarejando assustadas, correndo pela pracinha. Os amigos arregalaram os olhos. 'Corre, Ímã! Antes que o seu Jorge veja!', gritou o Juninho, e todos saíram correndo para o outro lado da rua. Ímã ficou parado, com as mãos cheias de pregos. Ele também queria correr. Pensou que ninguém tinha visto. Pensou que alguém podia achar que tinha sido o vento. Deu dois passos para longe... e então viu, lá dentro da horta, os pés de alface que o seu Jorge regava todos os dias, agora sem nada para proteger. Ímã voltou. Bateu na porta da casinha do seu Jorge. O velhinho apareceu de chinelo, com os óculos na ponta do nariz. 'Seu Jorge', disse Ímã, com a voz tremendo, mostrando as mãos cheias de pregos. 'Fui eu. Puxei os pregos da sua cerca porque estava me exibindo. A cerca caiu e as galinhas fugiram. Eu vou arrumar.' Seu Jorge olhou para a cerca no chão, para as galinhas na pracinha e depois para o menino. Ficou quieto um tempinho. Então ajeitou os óculos. 'Arrumar uma cerca dá trabalho, sabia?' 'Eu sei', disse Ímã. 'Mas fui eu que derrubei.' Primeiro, eles foram atrás das galinhas. Ímã não podia usar o poder com galinhas, porque galinha não é de metal. Então correu atrás delas com os braços abertos, tropeçou, levantou, chamou: 'Pintadinha! Carijó! Volta!'. Seu Jorge espalhou milho no chão, e uma por uma as galinhas foram voltando para a horta. Depois, veio a cerca. Seu Jorge levantava cada tábua e segurava firme. Ímã, com cuidado, soltava os preguinhos das mãos, um de cada vez, bem no lugarzinho certo. E seu Jorge dava as marteladas: toc, toc, toc. Era um trabalho lento. O sol foi descendo. As costas de Ímã começaram a doer. Os amigos passaram de bicicleta e chamaram para jogar bola. Ímã olhou para eles, olhou para a cerca e respondeu: 'Hoje não. Ainda faltam umas tábuas'. Quando o céu ficou laranja, a última tábua foi pregada. A cerca estava de pé, firme, talvez até mais firme do que antes. As galinhas ciscavam tranquilas lá dentro. Seu Jorge entrou em casa e voltou com dois copos de suco de maracujá e um pé de alface bem verdinho. 'Para a sua mãe', ele disse. 'E sabe de uma coisa? Esta cerca vivia com uns pregos frouxos. Agora não tem nenhum.' Ímã sorriu, cansado e feliz. No sábado seguinte, os amigos pediram de novo: 'Mostra o poder, Ímã!'. Ele pensou um pouco, olhou para a horta do seu Jorge e respondeu: 'Tá bom. Mas vamos fazer uma coisa útil'. E naquela tarde, a turma inteira ajudou a juntar todas as tampinhas de metal jogadas na pracinha, para levar para a reciclagem. À noite, deitado na cama, Ímã olhou para as próprias mãos. Eram as mesmas mãos que tinham derrubado a cerca. E eram as mesmas que tinham ajudado a levantá-la de novo.

Para conversar
Ímã podia ter corrido com os amigos, mas voltou para arrumar a cerca. O que você acha que ele sentiu quando a última tábua ficou de pé?
Esta história também fala deHonestidadeHumildade
Era uma vez… Terminamos!
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