
Era uma vez, na cidade de Jerusalém, um menino que tinha um tio muito especial. O tio dele se chamava Paulo. Paulo viajava por muitos lugares contando para as pessoas sobre Jesus, e o menino adorava ouvir as histórias das viagens dele: os barcos, as estradas compridas, as cidades novas. Mas, naqueles dias, Paulo não estava viajando. Ele estava preso numa fortaleza dos soldados romanos, porque algumas pessoas tinham ficado muito bravas com o que ele ensinava. O comandante dos soldados guardava Paulo lá dentro até decidir o que fazer. O sobrinho de Paulo sentia saudade do tio. Todos os dias, quando passava pelas ruas estreitas da cidade, olhava para os muros altos da fortaleza e pensava nele. Numa manhã, andando perto do mercado, o menino ouviu vozes baixinhas atrás de uma parede. Era um grupo de homens conversando em segredo. Ele parou. E ouviu, bem claramente, o nome do tio: Paulo. Os homens estavam combinando um plano. Iam pedir que Paulo fosse levado da fortaleza para uma reunião. E, no caminho, quando ele estivesse passando pela rua, eles iam pegá-lo para fazer mal a ele. Eram mais de quarenta homens. E tinham prometido não comer nem beber nada até conseguir. O coração do menino começou a bater muito forte. Ele era só um menino. Os homens eram grandes, eram muitos e estavam decididos. E se eles o vissem? E se ninguém acreditasse nele? Ele podia ir para casa e fingir que não tinha ouvido nada. Seria mais fácil. Mas pensou no tio, sozinho atrás daqueles muros, sem saber de nada. Então o menino respirou fundo e começou a andar. Primeiro devagar. Depois rápido. Depois correndo. Atravessou as ruas, subiu as escadas de pedra e parou diante do portão enorme da fortaleza, onde havia soldados com escudos e capacetes brilhando. — Eu vim ver meu tio, Paulo — disse ele, com a voz pequenininha. Os soldados deixaram ele entrar. E lá dentro, numa sala simples, estava Paulo. Quando viu o sobrinho, abriu um sorriso. Mas o menino não sorriu de volta. Contou tudo, depressa, com as palavras tropeçando umas nas outras: os homens, o segredo, o plano, a rua. Paulo ouviu com atenção. Depois chamou um dos oficiais. — Leve este menino até o comandante — pediu Paulo. — Ele tem uma coisa importante para contar. O menino engoliu em seco. O comandante era o homem mais importante da fortaleza. Ele tinha mil soldados sob suas ordens. O oficial levou o menino por corredores compridos até uma sala grande. O comandante, um homem chamado Cláudio Lísias, olhou para ele lá de cima. Mas então fez uma coisa inesperada: pegou o menino pela mão, levou-o para um canto, longe dos outros, e perguntou com calma: — O que você quer me contar? E o menino contou tudo de novo. Desta vez, a voz saiu mais firme. O comandante ficou em silêncio, pensando. Depois disse: — Não conte a ninguém que você me avisou. O menino voltou para casa. E, naquela mesma noite, enquanto a cidade dormia, o comandante chamou duzentos soldados, setenta cavaleiros e duzentos homens com lanças. Deu a Paulo um cavalo e mandou que o levassem em segurança para outra cidade, chamada Cesareia, longe dos homens do plano secreto. No escuro, os cascos dos cavalos fizeram tloc, tloc, tloc pela estrada. E Paulo seguiu protegido, no meio dos soldados, debaixo das estrelas. O menino nunca soube se alguém um dia ia lembrar o nome dele. A Bíblia não conta como ele se chamava. Mas conta o que ele fez. Naquela noite, deitado na sua esteira, ele ouviu o silêncio da cidade e sentiu o coração bater devagar outra vez. Tinha sentido medo, muito medo. E tinha ido mesmo assim. E Deus tinha usado um menino pequeno para cuidar de Paulo, que ainda ia contar sobre Jesus em muitos lugares do mundo.