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Histórias para a hora de dormir
Luana e o Laço Amarelo
Era uma vez
Luana e o Laço Amarelo
Resiliência8 min · 3-6 anos (geral)
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Era uma vez…

Era uma vez uma menina chamada Luana, que ganhou de aniversário um par de tênis azuis com cadarços amarelos. Eram os tênis mais bonitos que ela já tinha visto. Só havia um problema: Luana não sabia dar laço. Os tênis antigos fechavam com velcro. Era só puxar, grudar e sair correndo. Aqueles cadarços amarelos, compridos e moles, pareciam duas minhocas teimosas. — Eu te ensino — disse o pai, sentando-se no chão ao lado dela. — Primeiro cruza. Passa um por baixo e puxa. Agora faz uma orelhinha de coelho. Dá a volta com o outro, empurra por dentro e puxa. O pai fez devagar. Parecia fácil. Luana tentou. Cruzou, passou por baixo, puxou. Fez a orelhinha. Deu a volta, empurrou, puxou... e o cadarço se desmanchou inteiro na mão dela. Tentou de novo. A orelhinha escapou. Tentou outra vez. Saiu um nó cego, tão apertado que o pai precisou de um garfo para desfazer. Luana sentiu o rosto esquentar. Arrancou o tênis do pé e o empurrou para longe. Ele deslizou pelo chão e parou debaixo do sofá. — Eu quero o de velcro! — O de velcro não serve mais, filha. Seu pé cresceu. — Então amarra você. O pai amarrou. Mas, antes de se levantar, disse: — Meus dedos também não sabiam. Eles foram aprendendo. Na escola, o laço se soltou no recreio. Luana enfiou os cadarços para dentro do tênis e fingiu que não tinha visto. Passou o resto do dia com os pés esquisitos, andando com cuidado. Naquela noite, sentada na cama, ela pegou um pé do tênis e o colocou no colo. Ninguém estava olhando. Cruzou, passou por baixo, puxou. Orelhinha. Volta. Empurrou... desmanchou. Luana bufou. Olhou para o velho tênis de velcro, lá no fundo do armário. Depois olhou para os próprios dedos. Tentou mais uma vez. Desmanchou. Mais uma. Dessa vez, por um instantinho, apareceu um laço — torto, frouxo, com uma orelha grande e outra minúscula — e logo se abriu. Mas tinha aparecido. Na manhã seguinte, Luana acordou mais cedo e tentou cinco vezes antes do café. Nenhuma deu certo, e o pai amarrou. Na outra manhã, tentou de novo. E na outra também. Havia dias em que ela ficava brava e resmungava com os cadarços. Havia dias em que os dedos pareciam feitos de manteiga. Mas, toda noite, o tênis azul voltava para o colo dela. Cruza. Passa. Puxa. Orelhinha. Volta. Empurra. No sábado, a turma do prédio combinou de jogar bola na quadra. Luana desceu com os tênis amarrados pelo pai, com nó duplo. O jogo estava empatado quando ela correu para a bola, pisou em alguma coisa mole e quase caiu. Olhou para baixo. O cadarço do pé direito estava solto, arrastando no chão. — Espera! — gritou, levantando a mão. O jogo parou. Seis crianças ficaram olhando para ela. O pai tinha subido para buscar água. — Enfia para dentro e vem logo! — chamou o Caio, quicando a bola. — Se quiser, eu amarro — ofereceu a Bia, que já tinha sete anos. Luana olhou para o cadarço. Sentiu o rosto esquentar, como no primeiro dia. Seria tão rápido deixar a Bia amarrar. Ela se agachou ali mesmo, no meio da quadra. — Eu faço. Cruzou, passou por baixo, puxou. Fez a orelhinha. Deu a volta... e o cadarço desmanchou. Alguém suspirou atrás dela. Luana respirou fundo e começou de novo. Orelhinha. Volta. Empurrou — e a orelhinha escapou outra vez. — Vai demorar? — perguntou o Caio. — Só mais um pouco — disse Luana, sem levantar os olhos. Os dedos tremiam um pouquinho. Ela cruzou. Passou por baixo. Puxou bem firme. Fez a orelhinha e a segurou com força. Deu a volta devagar. Empurrou por dentro. Puxou as duas pontas. E ali ficou um laço. Meio torto, com uma orelha maior que a outra. Mas ficou. Luana se levantou, deu dois pulos para testar e saiu correndo atrás da bola. O laço aguentou o jogo inteirinho. Quando o pai voltou com a água, ela esticou o pé para ele ver. — Fui eu. O pai se abaixou, olhou bem de perto e assobiou. — Esse aí está mais firme que o meu. À noite, depois do banho, Luana colocou os tênis azuis ao lado da cama, um juntinho do outro. Antes de se deitar, desamarrou os dois, só para ter o gosto de amarrar de novo de manhã. Depois apagou a luz. No escuro, seus dedos ainda se mexiam sobre o lençol, bem devagar: cruza, passa, puxa.

Para conversar
Luana quis desistir e voltar para o tênis de velcro, mas continuou tentando. O que você acha que fez ela pegar o tênis de novo naquela noite?
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Era uma vez… Terminamos!
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