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Histórias para a hora de dormir
George e o Jardim Escondido
Era uma vez
George e o Jardim Escondido
Generosidade8 min · 3-6 anos (geral)
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Era uma vez…

Era uma vez um menino chamado George. Ele morava numa fazenda perto de uma cidadezinha chamada Diamond, nos Estados Unidos, há muito, muito tempo. Morava com a tia Susan e o tio Moses. George era magrinho e ficava doente à toa. Não aguentava o trabalho pesado da roça. Então ajudava em casa e cuidava da horta. E era ali, com as mãos na terra, que ele ficava feliz. No meio do mato, longe da casa, George tinha um segredo. Era um jardim. Um jardim só dele. Ali ele plantava mudas que achava pelo caminho. Uma samambaia. Um pé de violeta. Uma roseira que alguém tinha jogado fora. Ele olhava cada folha bem de perto. Punha uma planta na sombra, outra no sol. Mudava a terra. Dava mais água, dava menos água. E as plantas ficavam lindas. Ninguém sabia do jardim. George tinha medo de que rissem dele. Ou de que pisassem nas mudas. Um dia, tia Susan mandou George levar ovos à casa de uma vizinha, a senhora Baynham. No quintal dela havia roseiras. Estavam tristes, de folhas amarelas, sem nenhum botão. George parou. Não conseguiu passar direto. — O que você tanto olha, menino? — perguntou a vizinha. — As roseiras, senhora. Elas estão com sede de sol. Aquela árvore faz sombra o dia todo. A senhora Baynham riu. — E como é que você sabe? George encolheu os ombros. Ele só sabia. — Então mude as roseiras de lugar para mim — disse ela. George cavou com cuidado, sem ferir as raízes. Levou as roseiras para o lado do quintal onde o sol batia de manhã. Afofou a terra. Regou. Passaram-se algumas semanas. As roseiras se cobriram de botões. A notícia correu de casa em casa. — O menino dos Carver cura plantas! Logo começaram a aparecer vizinhas no portão. Uma trazia um vaso de folhas caídas. Outra, um pé de flor que não dava flor. — Doutor das Plantas, dá um jeito nesta aqui? George dava. Trocava a terra, tirava um bichinho, mudava o vaso de janela. Não cobrava nada. Voltava para casa assobiando. Mas uma tarde chegou uma senhora de olhos vermelhos. Carregava uma samambaia quase sem folhas. — Era da minha mãe — disse ela. — Está morrendo. Ninguém sabe o que fazer. George olhou a samambaia. As raízes estavam fracas. A terra do vaso estava dura feito tijolo. Ele sabia do que ela precisava. Precisava de terra preta e macia, cheia de folha podre. Precisava de sombra fresca e de alguém olhando todo dia. E só havia um lugar assim. O jardim escondido. George ficou quieto. Se levasse a samambaia para lá, teria de usar a terra boa, aquela que ele tinha juntado punhado por punhado, o verão inteiro. Era pouca. Estava guardada para a roseira dele, a que ia florir pela primeira vez. E se depois a senhora quisesse ver onde a planta tinha ficado? O segredo acabava. — Então, doutor? — perguntou ela, baixinho. George apertou as mãos uma na outra. — Eu levo — disse. — Volte daqui a um mês. Naquela tarde, ele carregou o vaso até o mato. Tirou a samambaia da terra dura. Pegou a terra preta, toda ela, e encheu o vaso. Para a roseira dele não sobrou nem um punhado. Pôs a samambaia no cantinho mais fresco do jardim. Era o lugar da violeta, sua planta preferida. A violeta foi para um canto pior. Todo dia George ia olhar. Uma semana, nada. Duas semanas, nada. A roseira dele deu um botão pequeno e pálido, que não abriu direito. George suspirou. Mas continuou regando a samambaia. Na terceira semana, apareceu um rolinho verde no meio do vaso. Depois outro. Depois muitos, se desenrolando devagar, como dedinhos acordando. No fim do mês, a senhora voltou. George entregou o vaso. A samambaia estava verde e cheia. A senhora cobriu a boca com a mão. Por um tempo, não conseguiu falar. — Onde foi que você fez isso? George olhou para o chão. Depois olhou para ela. — Quer ver? Levou a senhora pelo mato até o jardim escondido. Ela andou entre as mudas, bem devagar, sem pisar em nenhuma. Na saída, George arrancou com jeito um filhote da violeta e pôs nas mãos dela. — Esta gosta de janela com sol fraquinho — explicou. Quando a noite chegou, George sentou na porta da casa. Lá no mato, o jardim dormia. E em janelas espalhadas por toda a vizinhança, as plantas que tinham passado pelas mãos dele dormiam também.

Para conversar
George gastou toda a terra boa com uma planta que não era dele. Você já deu para alguém uma coisa que queria guardar para você? Como foi?
Esta história também fala dePaciênciaConfiança
Era uma vez… Terminamos!
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